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|Ciência

Resgatar a Academia da lógica da precariedade científica

Este testemunho junta-se a muitos outros de profissionais altamente qualificados que enfrentam carreiras precárias e sem estabilidade. 

Créditos / Fenprof

Sou técnica de bioinformática num instituto de investigação com contrato a termo, e conto já com seis anos de trabalho precário, incluindo dois anos de bolsa de mestrado e quatro anos e meio de bolsa de doutoramento. Obtive o meu primeiro contrato de pós-doutoramento por quatro anos, renovável anualmente, com financiamento da NIH. Esse financiamento foi interrompido no final do segundo ano, sem possibilidade de utilização de overheads, devido a decisões tomadas por uma administração Trump antivax.

Este testemunho junta-se a muitos outros de profissionais altamente qualificados que enfrentam carreiras precárias e sem estabilidade. Procura também chamar a atenção para a forma como novas tendências políticas de cariz neoliberal e de desvalorização do conhecimento científico podem, de um momento para o outro, comprometer de forma significativa linhas de investigação a nível mundial.

Coloca-se assim a questão de como pode ser criada uma estrutura de estabilidade que garanta um benefício partilhado entre conhecimento e financiamento a nível internacional, nomeadamente através de fundos comunitários europeus ou de organizações mundiais, evitando que avanços científicos fiquem vulneráveis a decisões políticas repentinas.

Texto lido no dia 9 de Julho de 2025, na concentração «Em Defesa da Ciência Pública e pelo Fim da Precariedade na Ciência», realizada em frente à Faculdade de Economia da Universidade Nova de Lisboa (NOVA SBE), em Carcavelos, onde decorreu o Encontro Ciência 2025.

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