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Milhares de jovens manifestaram-se contra a precariedade

Milhares de jovens trabalhadores percorreram as ruas de Lisboa esta quinta-feira, dando força à manifestação nacional da Interjovem, exigindo estabilidade no emprego e o aumento geral dos salários.

Manifestação da Interjovem contra os baixos salários e a precariedade, 28 de Março de 2019
Manifestação da Interjovem contra os baixos salários e a precariedade, 28 de Março de 2019Créditos / Interjovem

Durante a tarde de ontem, jovens trabalhadores oriundos de todos os pontos do País deslocaram-se até à capital, respondendo ao apelo lançado pela Interjovem (CGTP-IN) para fazer do Dia Nacional da Juventude um «dia de luta» e para levarem as reivindicações das empresas para as ruas.

«É preciso que isto mude! Estabilidade para a Juventude», «O acordo laboral só é bom para o capital» e «O Governo tem de optar! Precariedade tem de acabar» foram algumas das palavras de ordem que ontem ecoaram durante a manifestação que arrancou do Rossio em direcção à Assembleia da República.

Entre as principais reivindicações, os jovens trabalhadores exigiram estabilidade no emprego, através da erradicação da precariedade e do fim dos horários desregulados, o aumento geral dos salários e a fixação do salário mínimo nacional em 650 euros.

Outras exigências também ouvidas passaram por melhores condições de trabalho, a introdução das 35 horas de trabalho para todos, por estruturas públicas de apoio à família, assim como pelo fim dos ritmos de trabalho intensos e repressão patronal.

Em frente à Assembleia da República, os jovens trabalhadores aprovaram uma resolução a exigir a revogação das «normas ​​​​​​gravosas» das leis do trabalho, entre as quais o fim da caducidade da contratação colectiva e a reintrodução do tratamento mais favorável ao trabalhador, assim como o chumbo das alterações do Governo PS ao Código do Trabalho.

«Combate à precariedade tem de ser desígnio nacional»

No final da manifestação, com a intervenção final a seu cargo, o secretário-geral da CGTP-IN, Arménio Carlos, sublinhou que a precariedade é actualmente o maior flagelo social, sendo necessário tornar o seu combate um «desígno nacional.

«Os jovens continuam reféns da precariedade, presos a vínculos precários e horários desregulados que os privam do direito a uma vida estável, à conciliação do trabalho com a vida pessoal, presos a salários baixos», afirmou, tendo acrescentado que «não há liberdade sem direitos e estabilidade no trabalho».

Arménio Carlos, referindo que o aumento da precariedade é consequência directa da exploração e do «confronto de classes», beneficiando sobretudo os patrões, declarou que «este é o momento certo de separar águas» e de «ver quem está connosco e quem está do outro lado».

«Neste momento, há uma proposta de lei que foi apresentada pelo PS, que obteve o apoio dos patrões, da UGT e da direita. Dizem que é contra a precariedade, mas vejam o documento, é exactamente o contrário. O acordo acentua e perpétua a precariedade, e por isso, tem ser contestado e rejeitado», frisou.

Nesse sentido, Arménio Carlos apelou a que os trabalhadores, perante eleições à porta, «não dêem o voto a quem ataca os trabalhadores dentro de portas mas sim a quem os defende», tendo pedido ainda a partipação de todos no «Alerta Geral» que foi convocado para 11 de Abril, dia em que o acordo laboral volta ao Parlamento.

O secretário-geral da CGTP-IN deixou também um aviso: «caso o acordo laboral seja aprovado, com os votos do PS, PSD e CDS-PP, a resposta vai ser rápida e forte. Poderão certamente contar com uma grande contestação dos trabalhadores nas ruas e nos locais de trabalho».

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