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Enfermeiros não desarmam e exigem progressões para todos

A greve nacional dos enfermeiros esteve esta quinta-feira no Norte do País, em protesto contra o fecho das negociações pelo Governo, a falta de pessoal e a exclusão de cerca de 15 mil das progressões.

Concentração de enfermeiros à porta do IPO de Lisboa
Foto de arquivo: Concentração de enfermeiros em LisboaCréditosMIGUEL A. LOPES / LUSA

A greve nacional de quatro dias, com a característica particular de só abranger uma região do País em cada dia, com a excepção do último que abrange várias, foi convocada pelo Sindicato dos Enfermeiros Portugueses (SEP/CGTP-IN) e o Sindicato dos Enfermeiros da Região Autónoma da Madeira (SERAM). 

A paralisação geral foi iniciada no passado dia 22 de Janeiro, com uma adesão global na ordem dos 60% na Administração Regional de Saúde (ARS) de Lisboa e Vale do Tejo, tendo ontem passado para a região Centro. Hoje, os protestos chegaram ao Norte do País, com uma adesão semelhante às anteriores.

Os protestos surgem na sequência de o Ministério da Saúde ter decidido, uma vez mais, encerrar o processo negocial sem uma resposta satisfatória às várias reivindicações dos enfermeiros que permanecem por resolver há longos anos.

Entre as reivindicações, os enfermeiros exigem o descongelamento das progressões para todos, independentemente do vínculo contratual, a contratação de 1500 profissionais em 2019 e o pagamento do suplemento remuneratório aos enfermeiros especialistas que ainda não o receberam.

«Valorização dos enfermeiros reflecte-se nos cuidados do SNS»

José Carlos Martins, presidente do SEP, afirmou que «não é uma questão de birra ou de teimosia dos enfermeiros», mas de «justiça». «Nós somos 42 mil enfermeiros no SNS, dos quais 82% são mulheres, além de ser a profissão com mais jovens da Função Pública. Todavia, são discriminados nos salários, estão entre aqueles que menos recebem, apesar de serem os mais qualificados»

Os enfermeiros realçam que a persistência de várias injustiças acabam por se reflectir nos cuidados de saúde prestados, a par de se sentirem desmotivados e sobrecarregados, face à falta de pessoal. Como exemplo, afirmam que só um tem sob sua alçada mais de duas dezenas de pacientes, o que é insustentável. Em contraponto, o investimento e valorização dos enfermeiros acaba por se reflectir em melhorias na prestação de cuidados aos utentes.

Nesse sentido, o dirigente realçou que se trata de «uma greve para fazer ver ao ministério da Saúde e ao Governo que os enfermeiros não estão satisfeitos, estão amplamente descontentes pelo facto de a tutela não dar resposta à contagem dos pontos [progressões], à contratação de mais enfermeiros, à valorização e dignificação da profissão e às questões da aposentação», afirmou.

A greve nacional em curso não está relacionada com a chamada greve cirúrgica, patrocinada pela bastonária da Ordem dos Enfermeiros, Ana Rita Cavaco, e que foi convocada pela Associação Sindical Portuguesa dos Enfermeiros (ASPE) e o Sindicato Democrático dos Enfermeiros de Portugal (Sindepor).

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