Passar para o conteúdo principal

|CNA

Depósito dos tratores não se enche com propaganda e promessas, afirmam agricultores

A CNA acusa o Governo de misturar ajudas normais da PAC e compensações pelos prejuízos causados pelo «comboio de tempestades» com a resposta à crise provocada pela guerra contra o Irão, de forma a aparentar algum tipo de acção. 
 

Agricultores, produtores de leite e de carne durante o protesto em marcha de tractores contra a desvalorização do sector, agudizada com a assinatura do acordo UE-Mercosul, convocada pela União de Agricultores e Baldios do Distrito de Aveiro. Ovar, 4 de Março de 2026 Créditos Paulo Novais / Agência Lusa

Num comunicado intitulado Propaganda de Milhões do Governo não enche o depósito dos tratores, a Confederação Nacional da Agricultura (CNA) acusa o Governo de apresentar sucessivos anúncios de apoios financeiros sem nunca dar uma resposta suficiente à crise que o sector agrícola atravessa.

De acordo com a estrutura, o Governo faz desdobra-se em anúncios e comunicados sobre os milhões pagos aos agricultores, porém, mistura ajudas normais da PAC, ajudas ao investimento, compensações por tempestades e respostas à crise da guerra contra o Irão, o que em nada se materializa.

A guerra provocada pelos EUA está a ter graves impactos na actividade produtiva nacional, e segundo a CNA, o sector agrícola não passa ao lado, com o gasóleo agrícola 60 cêntimos/litro mais caro enquanto que o apoio do Governo é apenas de 10 cêntimos/litro, pago meses depois. O mesmo acontece com os custos com fertilizantes que subiram mais de 40% e as ajudas nacionais a ficarem muito abaixo das atribuídas pelo Governo espanhol.

«No essencial, estes anúncios servem para inundar a opinião pública com relatos de milhões. No entanto, para além de muitos destes apoios demorarem a chegar aos agricultores, o que cada agricultor recebe é deveras insuficiente face à crise que o sector atravessa», lê-se no comunicado.

A par da ausência de ajudas, a CNA acusa ainda o Governo de falta de diálogo. A mesma afirma que, apesar de reiterados pedidos de audiência, está há quase 5 meses sem qualquer resposta quanto às reuniões pedidas com o ministro da Agricultura e Mar, José Manuel Fernandes.

Numa postura construtiva, a CNA afirma ter consigo um conjunto de propostas que podiam alterar radicalmente a situação vida no sector agrícola, nomeadamente o desconto de 50 cêntimos por litro de gasóleo agrícola, o aproveitamento de toda a margem de manobra concedida pela União Europeia e a duplicação dos valores dos apoios, ou a criação de um programa de compra conjunta de fertilizantes ao nível da União Europeia.

O comunicado da estrutura representativa dos agricultores termina com um apelo: «Face à gravidade da situação actual, que o Governo não pode ignorar, a CNA apela à unidade e à mobilização de todo o sector agrícola nacional».
 

Tópico

Contribui para uma boa ideia

Desde há vários anos, o AbrilAbril assume diariamente o seu compromisso com a verdade, a justiça social, a solidariedade e a paz.

O teu contributo vem reforçar o nosso projecto e consolidar a nossa presença.

Contribui aqui