Manifestações em Lisboa e no Porto mobilizam trabalhadores em dia nacional de luta

CGTP: «Não basta dizer que se muda, é preciso mudar»

Largos milhares de trabalhadores participaram hoje no dia nacional de luta convocado pela CGTP-IN e nas manifestações de Lisboa e Porto, esta tarde.

Manifestação da CGTP-IN «Unidos para valorizar o trabalho e os trabalhadores», a descer a Avenida da Liberdade, em Lisboa. 3 de Junho de 2017
Manifestação da CGTP-IN «Unidos para valorizar o trabalho e os trabalhadores», a descer a Avenida da Liberdade, em Lisboa. 3 de Junho de 2017CréditosAntónio Pedro Santos / Agência LUSA

À partida do Marquês de Pombal, em Lisboa, o secretário-geral da central sindical, Arménio Carlos, sublinhou a centralidade da luta dos trabalhadores e a necessidade de dar um sinal ao Governo para que não fique «à sombra dos resultados que tem obtido».

Porque há questões por resolver na vida dos trabalhadores – das quais a CGTP-IN destaca a necessidade do aumento dos salários e do salário mínimo nacional, de dar força à contratação colectiva ou combater a precariedade –, a central anunciou no 1.º de Maio a convocatória das acções de hoje.

Nos últimos meses têm-se desenvolvido acções reivindicativas em várias empresas e sectores, algumas delas já com resultados obtidos.

«Não basta dizer que se muda, é preciso mudar», afirmou Arménio Carlos, referindo ainda a necessidade de serem alteradas as normas introduzidas na legislação laboral nos últimos anos, particularmente no período da troika, classificadas como gravosas para os trabalhadores pela CGTP-IN.

Integrando uma delegação do PCP, Jerónimo de Sousa considerou que a ideia de que «é preciso ter calma», utilizada pelo Governo para justificar o adiamento e o faseamento de várias medidas esbarra na necessidade de ir mais longe. Como exemplo, lembrou que há trabalhadores sem aumentos salariais há dez anos, nomeadamente na Administração Pública, e com as carreiras congeladas.

Esse «não é um bom caminho», sustentou,«porque leva a desilusões, leva a protesto, naturalmente, leva à luta».

Sobre o direito à contratação colectiva, o secretário-geral do PCP considerou que este deve ser reconhecido «sem constrangimento» – um direito «conquistado a pulso», lembrou.

A coordenadora do BE, Catarina Martins, disse compreender «que a CGTP sinta a necessidade de sinalizar este momento», afirmando ainda que o seu partido vai continuar a intervir no Parlamento.