Passar para o conteúdo principal

|condições de trabalho

Centro de Sangue e da Transplantação do Porto alvo de queixa do sindicato

O Sindicato dos Médicos do Norte apresentou uma participação à Inspecção-Geral das Actividades em Saúde e à ministra da Saúde denunciando a «degradação das condições de trabalho» no Centro de Sangue e da Transplantação do Porto.
 

Créditos Estela Silva / Agência Lusa

Em comunicado, o Sindicato dos Médicos do Norte (SMN/FNAM) alerta que a situação «compromete a segurança dos dadores, dos doentes e do sistema transfusional», exigindo a «reposição da legalidade e a adopção urgente de medidas que protejam um serviço essencial do Serviço Nacional de Saúde (SNS)» .

De acordo com o sindicato, os médicos especialistas em Imuno‑Hemoterapia do Centro de Sangue e da Transplantação do Porto estão a ser sujeitos a «semanas de trabalho de 52 e 64 horas, sem remuneração do trabalho suplementar e sem os períodos de descanso legalmente previstos», na sequência de uma deliberação do Conselho Directivo do Instituto Português do Sangue e da Transplantação.

O sindicato dos médicos sublinha que estes profissionais são responsáveis por «avaliar clinicamente os dadores, supervisionar a dádiva, validar os exames laboratoriais e garantir a qualidade e a segurança do sangue utilizado diariamente nos hospitais do SNS».

Neste sentido, a estrutura afecta à FNAM recorda que qualquer cidadão pode necessitar de uma transfusão de sangue na sequência de um acidente, hemorragia no parto, cirurgia, tratamento oncológico, leucemia ou transplante, e que «o sangue não se fabrica, nem se compra. A sua disponibilidade depende da generosidade dos dadores e do trabalho dos médicos especialistas».

A participação do SMN denuncia ainda outras irregularidades no Centro de Sangue e da Transplantação do Porto, nomeadamente a substituição de médicos do quadro por prestadores de serviço nas brigadas de colheita; o impedimento da participação dos médicos da instituição nessas equipas; o recurso a voluntários para actividades sensíveis anteriormente asseguradas por trabalhadores do quadro; o bloqueio da formação médica; e a intervenção de estruturas de chefia sem competência na especialidade de Imuno‑Hemoterapia em decisões de natureza técnica e clínica-

«Desvalorizar os médicos que garantem a segurança do sangue é colocar em causa a confiança dos cidadãos no sistema transfusional», alerta o SMN, que exige uma «intervenção urgente da Ministra da Saúde e a actuação da Inspecção-Geral das Actividades em Saúde para repor a legalidade, respeitar a actividade médica, proteger os dadores e os doentes e salvaguardar a segurança das transfusões no SNS». 
 

Tópico

Contribui para uma boa ideia

Desde há vários anos, o AbrilAbril assume diariamente o seu compromisso com a verdade, a justiça social, a solidariedade e a paz.

O teu contributo vem reforçar o nosso projecto e consolidar a nossa presença.

Contribui aqui