Num quadro em que todos os pretextos e justificações servem para a direita radical e reaccionária protagonizar as mais diversas campanhas contra a Constituição da República, a democracia e a liberdade, importa não esquecer a violência e a acção terrorista da extrema-direita no pós-25 de Abril.
Na perspectiva de branqueamento do fascismo e com o objectivo de denegrir o 25 de Abril e o período que se lhe seguiu, a extrema-direita, onde se destaca André Ventura pela sua vocalidade, continua a alimentar a tese do terrorismo de esquerda, nomeadamente a propósito das chamadas Forças Populares 25 de Abril (FP25), criadas em Abril de 1980.
No caso das FP25, falamos de uma organização que, usurpando o nome emblemático da Revolução dos Cravos, nada teve a ver com o 25 de Abril nem a sua acção beneficiou os trabalhadores, o povo e a sua luta.
À época, independentemente do alarmismo gerado pela campanha de calúnias e falsificações movida contra os comunistas e o movimento operário por órgãos de informação dominados pela direita, o PCP sempre condenou os actos promovidos por aquela organização, chegando a exigir que «tais iniciativas provocatórias» fossem julgadas não pela sua linguagem, nem pelas sigla com que se apresentava ou os objectivos que proclamava, mas pela «manifesta inserção de tais actos e projectos no quadro da estratégia golpista e subversiva da reacção». Aliás, não há terrorismo de esquerda, mas tão só terrorismo. As forças políticas mais consequentes desenvolvem acções revolucionárias e não qualquer forma de terrorismo.

A direita reaccionária e populista, tolhida por uma deliberada amnésia, esquece, por exemplo, que foi precisamente o governo de Cavaco Silva, em 1989, quem premiou a actividade de uma organização terrorista como a PIDE/DGS atribuindo pensões «por serviços excepcionais e relevantes» a dois dos seus ex-agentes, ao mesmo tempo que recusou conceder a mesma pensão ao capitão de Abril Salgueiro Maia. Sobretudo, esquece a violência e a acção terrorista de organizações como os chamados Exército de Libertação de Portugal (ELP) e Movimento Democrático de Libertação de Portugal (MDLP), apoiadas por forças da direita e da extrema-direita e envolvendo compromissos e cumplicidades políticas e partidárias. Alpoim Galvão, no seu livro De Conakry ao MDLP, confirma a tese da organização terrorista: «Nascido em Chaves, identificado com os sentimentos dos nortenhos, liguei-me natural e francamente, aos habitantes da região. Dentro do MDLP, as minhas funções eram, essencialmente, de chefia operacional. Por isso me liguei, fraternalmente, com os núcleos de resistência».
Nesse sentido, importa chamar a atenção para os 50 anos que agora passam sobre dois desses actos terroristas ocorridos em Lisboa, em 1976: o ataque bombista que destruiu as instalações da Embaixada de Cuba em Lisboa, matando dois diplomatas cubanos (22 de Abril), e o atentado terrorista contra o Centro de Trabalho Vitória, sede da organização regional de Lisboa do PCP, causando um morto, cinco feridos e avultados prejuízos materiais (1 de Maio).
Acções de violência e terrorismo que a extrema-direita desenvolveu impunemente, apoiadas numa intensa campanha política contra o 25 de Abril e as suas conquistas, consagradas na Constituição da República.
Trata-se da mesma direita reaccionária e populista que procura hoje reagrupar-se em torno de novas e messiânicas lideranças, na expectativa do assalto ao castelo da democracia que a nossa Constituição representa, perseguindo o objectivo da reconfiguração do Estado ao serviço dos interesses do grande capital nacional e estrangeiro.
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