Primeiro sucesso de Tenessee Williams na Broadway

Artistas Unidos iniciam em Almada digressão de «Jardim Zoológico de vidro»

A peça Jardim zoológico de vidro, de Tennessee Williams, com encenação de Jorge Silva Melo, sobe, no dia 19, ao palco do Teatro Municipal Joaquim Benite, em Almada, no início de uma digressão por várias cidades portuguesas.

Depois do Teatro Virgínia, em Torres Novas, o espectáculo dos Artistas Unidos chega a Almada
Créditos / Artistas Unidos

Esta é a segunda peça de Tennessee Williams que os Artistas Unidos levam ao Teatro Joaquim Benite, depois de em Março passado terem apresentado A noite da iguana.

Levar espetáculos a palcos fora dos grandes centros e, ao mesmo tempo, reencontrar público que conhece há muitos anos são, segundo Jorge Silva Melo, as duas melhores coisas que acontecem quando apresenta peças dos Artistas Unidos em digressão, disse o encenador à Lusa.

«Acho muito engraçado encontrar espetadores pelo País fora que veem as nossas peças, depois veem outras em Lisboa e depois vêm dizer-nos que acompanham o trabalho. A isso chamo crescer com os espetadores, que é uma coisa muito engraçada», afirmou Jorge Silva Melo.

Jardim zoológico de vidro é a quarta peça de Tennessee Williams encenada pelos Artistas Unidos e a que encerra a tetralogia dedicada ao dramaturgo norte-americano.

Depois de Almada, os Artistas Unidos levarão Jardim zoológico de vidro à Póvoa de Varzim, a 3 de junho, e a Castelo Branco, a 16. A 4 de novembro a peça será representada na Guarda.

Jorge Silva Melo disse, contudo, que estão com dificuldade em agendar representações da peça, porque, devido às eleições autárquicas de outubro, e como muitos teatros são municipais, é difícil marcar espetáculos.

«O Ministério da Cultura devia pensar se não deveria criar condições para que todas as câmaras recebessem espetáculos, porque os teatros são subsidiados e acabam por estar a prestar serviço público», frisou o encenador e diretor dos Artistas Unidos, em declarações à Lusa.

«A Direção-Geral das Artes já teve em tempos um serviço desse género e acho que devia voltar a ter, porque é uma missão importante proporcionar aos espetadores verem as coisas», observou Jorge Silva Melo.

Quanto a trabalhos futuros, o diretor dos Artistas Unidos disse que em 2018 irão fazer Do alto da ponte, de Arthur Miller, que levarão também ao Teatro Nacional S. João, no Porto, e ao Municipal de S. Luiz, em Lisboa.

Jorge Silva Melo sublinhou, porém, que, neste momento, lhe apetece mais trabalhar autores mais recentes como o britânico Jez Butterworth, dramaturgo nascido em 1969, autor de O rio, uma peça que o encenador assegurou ter adorado, e de Ferry man, que acabou de estrear em Londres.

O grego Dimitrís Dimitriádis, nascido em Salónica em 1944, é outro dos dramaturgos contemporâneos que Jorge Silva Melo gostava de trabalhar. «E depois voltar a clássicos, como o [alemão] Heiner Müller», frisou.

No entanto, é difícil fazer projetos a prazo já que, neste momento, as companhias estão a trabalhar com prolongamento de subsídios, uma vez que o modelo de apoios vai sofrer alterações.

«E o ano de 2018 também vai ser muito periclitante», adianta Jorge Silva Melo, sublinhando que «trabalhar assim é injusto».

Jardim zoológico de vidro foi o primeiro êxito de Tennessee Williams na Broadway.

A peça centra-se em Amanda, mãe de Tom, e Laura, abandonada pelo marido, empenhada em encontrar um pretendente para a filha aleijada.

Por seu turno, Tom é o sustento da mãe e da irmã, mas, nos tempos livres, escreve poemas em tampas das caixas de sapatos. À sua maneira, todos perseguem uma vida à medida dos seus sonhos.

A peça é interpretada por Guilherme Gomes, Isabel Muñoz Cardoso, João Pedro Mamede e Vânia Rodrigues.

Traduzida por José Miguel Silva, tem cenografia e figurinos de Rita Lopes Alves, luz de Pedro Domingos e som de André Pires.

A coordenação técnica é de João Cachulo e a assistência de encenação de António Simão.


Agência Lusa

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