A «actualidade e a pertinência do texto» face «a esta forma crescente do fascismo, que parece ter vindo a instalar-se e não se vai embora, antes pelo contrário», foram pretextos para pôr em palco a peça baseada no compêndio homónimo de 151 lições para «aprendizes de bons fascistas», escrito por Rui Zink, autor que o Teatro de Animação de Setúbal (TAS) já por várias vezes trabalhou.
«Rir», «alertar» e, «eventualmente, fazer as pessoas rirem» perante o «aumento de ideologias radicais e crescentes manifestações de extrema-direita, um pouco por todo o mundo», foi o objectivo da peça, referiu a encenadora e directora artística do TAS, Célia David.
«Enquanto é tempo, vamos demonstrar que temos uma palavra a dizer, até porque o futuro parece ser relativamente assustador, se levar este caminho» argumentou a também autora da dramaturgia, com o conhecimento e acordo de Rui Zink.
Assim, levar para as tábuas Manual do bom fascista no ano em que o TAS celebra 50 anos, sendo por isso «um filho da liberdade e da democracia», ganha ainda mais «relevância», disse.
A partir das 151 lições do Manual do bom fascista, Célia David seleccionou mais de 20. As mais «adaptáveis» a teatro, além de lhes acrescentar diálogos e «dois ou três apartes».
Ainda antes de entrar para a sala do Teatro de Bolso, o público é «contemplado» com uma caneta e um impresso com o «Fascistómetro», o «singelo inquérito» à semelhança do contido na obra original, sento também instado a preenchê-lo.
Manual do bom fascista estreia-se dia 27 de Novembro no Teatro de Bolso, onde terá mais seis récitas: sexta-feira e sábado e dias 5, 6, 12 e 13 de Dezembro, todas às 21h30. As primeiras três datas estão já esgotadas.
A interpretar estão Cristina Cavalinhos, como actriz convidada, Andreia Trindade, Cláudia Aguizo e André Moniz, que também assiste na encenação.
Com vozes ‘off’ de Célia David, Duarte Victor e Miguel Assis, a coreografia é de Carlos Prado, a cenografia de Flávio Rina e os figurinos e adereços de Sara Rodrigues. No desenho de luz está José Santos, na sonoplastia Luís Oliveira e na operação técnica Celso Ferreira.
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