«Comunidade» é um tema demasiado caro nos dias de hoje. A individualidade parece que lhe tomou o lugar. Simultaneamente, com uma fuga desse estado de comunhão, há um anseio muito visceral em fazer parte de um colectivo. Em Cochena é possível fazer parte de uma comunidade. Naqueles 92 minutos, somos apresentados à família Romão e de uma hora para outra também fazemos parte desta comunidade cigana de Famões.
A vida simples do casal Maria e Anastácio é vibrante e colorida e, para isso, nem foi preciso roteiro, já que o longa-metragem é uma espécie de documentário de suas rotinas, com seus vários trabalhos, seu convívio familiar e seus momentos de descontração. No filme de Diogo Allen não existe conflito aparente, não existe preconceito, aliás, não existe ninguém de fora da comunidade, apenas os ciganos por eles mesmos.
A estreia com quem de Cochena fez parte
Para além do que está em cena, a sessão de estreia também foi bonita de se ver. Foi possível tirar qualquer coisa dela, uma vez que foi a primeira vez que Cochena viu o grande ecrã e toda uma comunidade se viu também. Naquela quinta-feira à noite, a Culturgest, em Lisboa, encheu-se de gente nova e velha que, ao assistir o filme, se reconheceu na longa.
A plateia estava cheia com «actores» de Cochena, mas também cheia daqueles que conheciam os seus personagens, que sabiam os seus nomes, os seus costumes e as suas canções, e que riam das suas piadas como se já fosse um hábito antigo. Assistir a Cochena ao lado da comunidade cigana que possibilitou a sua realização, deu uma nova camada ao documentário: o brilho e a alegria de cena parecem agora ainda mais sinceros.
Foram apenas duas sessões durante o IndieLisboa, mas Cochena venceu duas categorias do festival, o TVCine e o Universidades, ambos para Melhor Longa-Metragem da Competição Nacional, o que lhe concedeu mais uma oportunidade de exibição, já que o filme da produtora Terratreme ainda não tem distribuição pelos cinemas nacionais. A sessão extra será às 21h30, deste 12 de Maio, no Cinema Ideal.
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