|Bienal de Veneza

Participantes na Bienal de Veneza apelam à não participação de Israel

Mais de 180 participantes na Bienal de Veneza 2026, subscreveram uma carta aberta dirigida à organização do certame, apelando à exclusão de Israel do evento.

Protesto dos trabalhadores da cultura do grupo ANGA (Art Not Genocide Alliance) junto dos pavilhões de Israel e dos EUA na Bienal de Veneza, em 2024 (foto de arquivo)
Protesto dos trabalhadores da cultura do grupo ANGA (Art Not Genocide Alliance) junto dos pavilhões de Israel e dos EUA na Bienal de Veneza, em 2024 Créditos / ANGA

Em comunicado, a bdsportugal.org dá nota de que o documento, uma iniciativa do grupo ANGA (Art Not Genocide Alliance) subscrito também pelo artista Alexandre Estrela, seleccionado para representar Portugal no certame, reúne artistas, curadores e outros profissionais e trabalhadores do evento, que denunciam a concessão de uma plataforma de legitimação a Israel num contexto de graves e continuadas violações dos direitos humanos.

Na carta, segundo o comunicado, os signatários apelam ao fim da «cumplicidade da Bienal de Veneza na tentativa de destruição da vida palestiniana», considerando que, enquanto persistirem as práticas de «genocídio, limpeza étnica e apartheid, Israel não deve estar representado na Bienal de Veneza».

A adesão do artista português a esta iniciativa reforça a crescente mobilização que existe dentro dos sectores artístico e cultural nacionais, de oposição às acções do Estado de Israel e de denúncia da responsabilidade de instituições culturais no branqueamento de tais crimes.

O colectivo ANGA compreende um conjunto internacional de artistas, curadores, escritores e trabalhadores culturais que se organizaram para exigir a exclusão de Israel da Bienal de Veneza.

Entretanto, a Comissão Europeia (CE) e o Governo português mantêm, em relação à participação de Israel, «um silêncio que levanta sérias questões de coerência política e moral», quando, ao mesmo tempo, condena a abertura do presidente da Bienal Foundation, Pietrangolo Buttafuoco, à participação da Rússia no certame deste ano, decisão que justificou em nome do combate a qualquer censura artística.

A CE, pela voz dos comissários Henna Virkkunen e Glenn Micallef, ameaçou suspender o financiamento ao festival, alegando que «a decisão de incluir a Rússia não está em conformidade com os valores europeus e as normas éticas» do contrato assinado entre as partes.

Na Bienal de Veneza como em outros certames, a discrepância entre a prontidão e voluntarismo em condenar a Rússia e a hesitação em relação a Israel expõem uma sensibilidade selectiva em matéria de defesa do direito internacional e dos direitos humanos», sublinha o comunicado.

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