A demissão de Maria Lúcia Amaral é também uma oportunidade para o Governo tentar salvar a face, passando para a ministra da Administração Interna o ónus de uma realidade onde se destaca a insuficiência de apoios às populações e autarquias, com milhares de pessoas sem electricidade e comunicações.
Independentemente de considerações sobre a competência e a capacidade da ministra, a questão é que esta realidade da insuficiência na resposta está intrinsecamente ligada à privatização de sectores estratégicos e críticos, como a energia ou as telecomunicações, mas também à degradação dos serviços públicos e ao desmantelamento de estruturas do Estado.
A verdade é que a dimensão dos fenómenos climatéricos mais extremos que o País enfrentou nas últimas semanas não pode justificar tudo. A incapacidade na resposta demonstrada pelo Governo é o reflexo da fragilização do aparelho de Estado e deve alertar as populações para as teorias do Estado mínimo.
Entretanto, o primeiro-ministro, Luís Montenegro, assumirá temporariamente a pasta da Administração Interna.
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