A Frente Sindical Unida (FreSU) reúne organizações como o Sindicato dos Metalúrgicos (UOM), a Associação dos Pilotos de Linhas Aéreas (APLA), a Federação dos Petroleiros, a Associação Trabalhadores do Estado (ATE) e La Fraternidad, entre outros.
Este novo espaço unitário, que junta estruturas sindicais filiadas na CGT e nas duas CTA (Central dos Trabalhadores da Argentina), definiu um plano de acção com mobilizações em diferentes províncias, que irá culminar a 11 de Fevereiro, data prevista para o debate sobre a reforma laboral no Senado, com uma manifestação frente ao Congresso, em Buenos Aires, indica o Página 12.
Este grupo, que, segundo os organizadores, conta com cerca de meia centena de estruturas, considera que não há espaço para a negociação, na medida em que nenhum dos artigos do projecto de lei do governo de Milei beneficia os interesses dos trabalhadores.
«Devido à magnitude dos direitos que revoga, à abrangência das questões que aborda e à profundidade dos retrocessos que introduz, este projecto de lei só se compara à reforma laboral implementada durante a ditadura cívico-militar de 1976», refere o documento divulgado pelos membros da FreSU após o encontro que mantiveram esta quarta-feira.
Tal como na semana anterior, esta reunião também se realizou na sede do UOM, liderado por Abel Furlán, dirigente sindical que tem pressionado os seus camaradas da CGT (Confederação Geral dos Trabalhadores) a assumirem uma posição mais firme contra a reforma laboral promovida pelo governo «libertário», revela a fonte.
No documento divulgado, a FreSU sublinha que «este projecto de reforma não surge de um processo de diálogo democrático ou de discussão aberta com os trabalhadores». Mais ainda, denuncia que o executivo de Milei procura fazer com que o projecto seja o resultado de «negociações às escondidas do povo trabalhador, em que alguns governadores estariam dispostos a trocar votos de senadores por benefícios de curto prazo para as suas administrações provinciais».
Um projecto de lei que reflecte o modelo económico de Milei
Para a frente sindical agora constituída, aquilo que a Casa Rosada está a fazer é uma manobra política que «abdica de direitos históricos em troca de migalhas e que põe em risco o futuro do trabalho na Argentina».
No encontro desta quarta-feira, foi traçado o início de um plano de acção que, para já, inclui duas mobilizações: em Córdoba e Santa Fé, a 5 e 10 de Fevereiro, respectivamente.
O plano de luta culminará numa mobilização frente ao Congresso, na capital do país austral, marcada para 11 de Fevereiro, que será dia de greve geral convocada pelos sindicatos da função pública que integram a FreSU.
Nesse mesmo dia, o governo de Milei julga poder fazer avançar no Senado o texto que arrasa com os direitos dos trabalhadores argentinos.
«Não há nenhum elemento neste projecto de reforma laboral que possa ajudar a criar emprego, formalizar ou melhorar a qualidade do trabalho», alertam os sindicatos no texto publicado.
Em seu entender, o projecto legislativo reflecte o modelo económico promovido por Milei, «que necessita de baixos salários, empregos precários e do enfraquecimento da organização sindical para fazer avançar o desmantelamento e a privatização de empresas públicas e o desmantelamento do tecido produtivo e industrial do país».
Contribui para uma boa ideia
Desde há vários anos, o AbrilAbril assume diariamente o seu compromisso com a verdade, a justiça social, a solidariedade e a paz.
O teu contributo vem reforçar o nosso projecto e consolidar a nossa presença.
Contribui aqui
