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Ciclo de cinema explora os «múltiplos legados» de Frantz Fanon

A assinalar o centenário de Frantz Fanon, o Instituto de História Contemporânea propõe um ciclo dedicado ao psicólogo, filósofo e combatente da Frente de Libertação Nacional (FLN), a começar a 17 de Janeiro.

Imagens do filme <em>Chroniques fidèles survenues au siècle dernier à l’hôpital psychiatrique Blida-Joinville</em>, de Abdenour Zahzah, a exibir na Casa do Comum a 17 de Janeiro, às 16h. 
Imagens do filme Chroniques fidèles survenues au siècle dernier à l’hôpital psychiatrique Blida-Joinville, de Abdenour Zahzah, a exibir na Casa do Comum a 17 de Janeiro, às 16h. Créditos / Abdenour Zahzah

«Os actuais acontecimentos que que estão a mergulhar a Argélia em sangue não constituem um escândalo para o observador. O que está a acontecer não é resultado de um acidente nem de uma falha no mecanismo. São a consequência lógica de uma tentativa abortada de descerebralizar um povo. (...) Ao longo de vários meses, a minha consciência tem sido palco de debates imperdoáveis. E a conclusão a que cheguei é a determinação de não desesperar do homem, ou seja, de mim mesmo».

Em 1956, três anos depois de assumir o cargo de chefe do Hospital Psiquiátrico de Blida-Joinville, na Argélia, Franz Fanon apresentava a sua carta de demissão, um documento que ficou para a história dos movimentos de libertação africanos. Durante esse período, o psicólogo acompanhou combatentes da Frente de Libertação Nacional (FLN), crianças traumatizadas pela brutalidade da ocupação colonial francesa e os próprios torturadores do regime, também eles vítimas da sua própria violência.

Fanon é expulso da Argélia pouco tempo depois e, em Tunis, Marrocos, assume abertamente a militância na FLN. Estas experiências (que se juntam a uma infância na colónia francesa de Martinica e ao combate na segunda guerra mundial integrado nas forças francesas), compõem os múltiplos legados da obra de Fanon, «desde a luta anti-racista aos movimentos de descolonização, passando ainda pela sua actividade como psiquiatra – intimamente entrelaçada com as duas outras vertentes», refere a equipa responsável pela organização do ciclo de cinema.

Organizado por Manuela Ribeiro Sanches, Miguel Ribeiro e Sofia Victorino, do Instituto de História Contemporânea da FCSH-UNL, as cinco sessões de cinema pretendem abordar «o contexto histórico de Fanon, a suas relação com os movimentos de libertação, com as causas do chamado “Terceiro Mundo” e com a luta pelos direitos de grupos racializados».

As sessões do ciclo de cinema vão decorrer na Casa do Comum, no Bairro Alto, com excepção da última, marcada para o dia 14 de Fevereiro, que decorrerá no Cinema Fernando Lopes, na Universidade Lusófona de Lisboa. Todos as sessões (17, 24 e 31 de Janeiro, 7 e 14 de Fevereiro) terão início às 16h, contando sempre com um debate com convidados relacionados com o tema dos filmes exibidos. O programa pode ser consultado aqui.

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