Em 1956, três anos depois de assumir o cargo de chefe do Hospital Psiquiátrico de Blida-Joinville, na Argélia, Franz Fanon apresentava a sua carta de demissão, um documento que ficou para a história dos movimentos de libertação africanos. Durante esse período, o psicólogo acompanhou combatentes da Frente de Libertação Nacional (FLN), crianças traumatizadas pela brutalidade da ocupação colonial francesa e os próprios torturadores do regime, também eles vítimas da sua própria violência.
Fanon é expulso da Argélia pouco tempo depois e, em Tunis, Marrocos, assume abertamente a militância na FLN. Estas experiências (que se juntam a uma infância na colónia francesa de Martinica e ao combate na segunda guerra mundial integrado nas forças francesas), compõem os múltiplos legados da obra de Fanon, «desde a luta anti-racista aos movimentos de descolonização, passando ainda pela sua actividade como psiquiatra – intimamente entrelaçada com as duas outras vertentes», refere a equipa responsável pela organização do ciclo de cinema.
Organizado por Manuela Ribeiro Sanches, Miguel Ribeiro e Sofia Victorino, do Instituto de História Contemporânea da FCSH-UNL, as cinco sessões de cinema pretendem abordar «o contexto histórico de Fanon, a suas relação com os movimentos de libertação, com as causas do chamado “Terceiro Mundo” e com a luta pelos direitos de grupos racializados».
As sessões do ciclo de cinema vão decorrer na Casa do Comum, no Bairro Alto, com excepção da última, marcada para o dia 14 de Fevereiro, que decorrerá no Cinema Fernando Lopes, na Universidade Lusófona de Lisboa. Todos as sessões (17, 24 e 31 de Janeiro, 7 e 14 de Fevereiro) terão início às 16h, contando sempre com um debate com convidados relacionados com o tema dos filmes exibidos. O programa pode ser consultado aqui.
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