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Sr. bastonário, salvar o SNS não é financiar o negócio da Saúde

O bastonário da Ordem dos Médicos pretende fazer crer que as suas preocupações são com a saúde do SNS, quando na verdade pretende animar o negócio privado.

Miguel Guimarães, bastonário da Ordem dos Médicos
Miguel Guimarães, bastonário da Ordem dos Médicos CréditosJosé Coelho / Lusa

A carta aberta dirigida à ministra da Saúde pelo actual e antigos bastonários da Ordem dos Médicos, divulgada hoje, chama a atenção para os problemas graves que existem no Serviço Nacional de Saúde (SNS), mas omite as soluções.

Os signatários alertam para a importância de «envolver» os sectores social e privado, «de acordo com as necessidades dos doentes», para dar resposta a todos os que precisem de cuidados de saúde, mas esquecem-se que os hospitais privados foram os primeiros a fechar as portas quando o País precisava de articular uma resposta perante a urgência sanitária.

Na carta aberta defende-se que mais investimento para o SNS «não basta» e que é preciso «utilizar» os recursos do sector privado. Estarão a falar de requisitar esses recursos ou de transferir para o privado (ainda mais) verbas que deveriam ser investidas no reforço do SNS?

O bastonário da Ordem dos Médicos pretende fazer crer que as suas preocupações são com a saúde do SNS, quando na verdade pretende animar o negócio privado. Em linha com o que defendem PSD e CDS-PP na discussão do Orçamento do Estado, os subscritores querem mais parcerias público-privadas para que os donos dos negócios privados da saúde lucrem no processo em que servem de intermediário entre os que necessitam de cuidados de saúde e aqueles que os podem prestar.

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