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PEV quer Governo a investigar peixes mortos no Sizandro

O aparecimento de peixes mortos no Sizandro e outros indícios de poluição naquele rio do Oeste foram o objecto da pergunta endereçada pelo PEV ao ministério que tutela as questões ambientais.

Troço do rio Sizandro, no concelho de Torres Vedras
Troço do rio Sizandro, no concelho de Torres VedrasCréditos / Caminhando

O grupo parlamentar do Partido Ecologista «Os Verdes» (PEV) questionou o Ministério do Ambiente e da Acção Climática (MAAT) sobre o seu conhecimento das causas da morte de dezenas de peixes junto ao Açude da Granja, no rio Sizandro, no concelho de Torres Vedras.

Na pergunta, endereçada ao ministério tutelado por João Pedro Matos Fernandes e divulgada hoje pela agência Lusa, o PEV refere-se a alertas de moradores de Runa sobre «dezenas de peixes mortos à superfície» do rio, no troço que passa naquela localidade.

«A população mencionou também que observou alterações no aspecto das águas do rio, quer ao nível da cor, quer do cheiro, o que pode indiciar a existência de fontes poluidoras», acrescentou o partido.

Além de pretenderem a confirmação do estado de poluição das águas naquele troço do Sizandro, «Os Verdes» interpelam a tutela sobre as acções que irá desenvolver no sentido de apurar «a origem desta preocupante situação».

«A poluição das águas, e a existência de acontecimentos similares aos relatados, é recorrente», questionam, perguntando ainda se, «tratando-se de um problema ambiental grave e com riscos para a biodiversidade e para a saúde pública, além do apuramento imediato, que medidas irão ser tomadas para prevenir que venham a ocorrer situações similares».

Ecossistema frágil no Sizandro

O rio Sizandro nasce no concelho de Sobral de Monte Agraço, atravessa o concelho de Torres Vedras, e desagua no Atlântico, na Praia Azul.

Segundo a Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional de Lisboa e Vale do Tejo (CCDR-LVT), o rio constitui um Corredor Ecológico Secundário da Estrutura Regional de Protecção e Valorização Ambiental do Oeste e Vale do Tejo (OVT).

Ao desaguar, o rio forma um pequeno estuário onde pode ser observada uma grande variedade de aves que aí procuram alimento e locais de nidificação.

Antes de chegar à foz o Sizandro atravessa área uma cariz agrícola de policultura, sendo que a partir do aglomerado de Runa tem associada uma área agrícola de baixa aluvionar.

O troço do rio em Runa foi reabilitado em 2019 por alunos da Escola Agrícola de Runa, para promover de forma activa o ruivaco-do-Oeste, uma espécie piscícola cujo ecossistema se circunscreve aos rios Alcabrichel e Sizandro.

Há cerca de 20 anos foram detectadas precisamente em Runa descargas ilegais de efluentes que motivaram uma intervenção correctiva governamental e municipal, como foi então noticiado pelo jornal Público.

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