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O despotismo do «grupo dos 80» da Armada consagrado em livro

O peso da prepotência na administração da Armada marcou o quotidiano de um período de sangria dos valores éticos e profissionais por parte do «grupo dos 80», profundamente imoral e vingativo em relação a militares democratas.

Juramento de bandeira de fuzileiros, 26 de Julho de 1985.
Juramento de bandeira de fuzileiros, 26 de Julho de 1985.CréditosFuzileiros, Marinha, parada, desfile / Armada no coração

Em vésperas do 25 de Novembro, a Sociedade Histórica da Independência de Portugal e o seu presidente, José Ribeiro e Castro, acolheram a apresentação do livro O Grupo dos 80, a cargo de António Barreto, uma obra que pretende retratar o ambiente que se vivia na Armada durante o chamado Verão Quente de 1975.

O «grupo dos 80» era constituído por oficiais responsáveis por «clamorosos casos de injustiça e abuso de poder», que «só à sombra de um processo desta natureza conseguiram ocupar lugares de chefia, visto que pelo seu valor próprio tal seria negado à sua maioria». É desta forma que a brochura 191 casos de perseguição política na Marinha, editada em Outubro de 1981, se refere ao «grupo dos 80», caracterizando-o como «gente que vomita ódio, que transpira medo face a imaginários fantasmas da renovação de valores sociais».

Nessa brochura, o «grupo dos 80» é acusado de pressão político-partidária, de forma organizada, e de exercer, «de facto, o poder na Armada» durante o tempo em que os almirantes Souto Cruz e Sousa Leitão exerceram o cargo de Chefe do Estado-Maior da Armada, nomeadamente orientando e condicionando as decisões da administração, ocupando, quase totalmente, os principais cargos da Armada, perseguindo militares democratas da Armada e combatendo a Constituição da República. Aliás, nesse dossier publicado em Outubro de 1981, é sublinhada a vontade com que, no seio da Armada, o «grupo dos 80» propagandeava a candidatura de Soares Carneiro, deixando entender que, após a vitória deste general, se seguiria o afastamento dos «oficiais, sargentos e praças constitucionalistas e democratas». Ao mesmo tempo, fomentavam abertamente acções de hostilidade em relação ao general Ramalho Eanes.

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