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Morreu Ruben de Carvalho, «homem de combate e confronto de ideias»

Em nota do Secretariado do Comité Central do PCP, destaca-se o contributo que deixou à sociedade portuguesa, do jornalismo à cultura, bem como o empenho com que lutou toda a sua vida, pela democracia e a liberdade.

Rúben de Carvalho na conferência de imprensa para apresentação do programa da Festa do
Rúben de Carvalho na conferência de imprensa para apresentação do programa da Festa do "Avante!" 2016, na Quinta da Atalaia, Amora, 22 de Agosto de 2016CréditosMANUEL DE ALMEIDA / LUSA

«É com profundo pesar que o Secretariado do Comité Central do PCP informa que Ruben de Carvalho faleceu hoje, com 74 anos, em consequência de problemas de saúde que exigiram internamento hospitalar», lê-se na nota emitida esta manhã.

Jerónimo de Sousa destaca o «homem de combate e de confronto de ideias, [...] de diálogo com quem discordava mas simultaneamente respeitava», que «abraçou a luta pelo projecto do partido que o animava e o acompanhou durante toda a sua vida».

Do movimento estudantil à luta antifascista

Ruben de Carvalho, jornalista e intelectual comunista, envolveu-se desde muito jovem na luta antifascista.

«Ao longo de toda a sua vida, Ruben de Carvalho empenhou-se na luta, com o seu Partido, pela liberdade e a democracia, por uma sociedade nova liberta da exploração e da opressão, o socialismo e o comunismo»

Nota do Secretariado do Comité Central do PCP.

Foi preso várias vezes entre 1961 e 1966, e novamente a 7 de Abril de 1974, libertado pouco antes de eclodir a Revolução dos Cravos. Ainda estudante do Ensino Secundário, integrou, em 1960, a Direcção da Comissão Pró-Associação dos Estudantes do Ensino Liceal e da Comissão Nacional do Dia do Estudante (de 1961 a 1964). Participou na luta académica de 1962, já estudante do Ensino Superior. E em 1963 integrou a Direcção da Comissão Pró-Associação de Estudantes da Faculdade de Letras de Lisboa.

Foi membro das «comissões juvenis de apoio» à candidatura do General Humberto Delgado em 1958 e activista da Oposição Democrática nas «eleições» para a Assembleia Nacional de 1961, 1965 e 1973.

Militante do Partido Comunista Português

Aderiu ao Partido Comunista Português em 1970 e, após o 25 de Abril de 1974, foi da Direcção Nacional do Movimento Democrático Português – Comissão Democrática Eleitoral (MDP/CDE) e chefe de gabinete do Ministro Sem Pasta, Prof. Francisco Pereira de Moura, no I Governo Provisório.

Era membro da Direcção da Festa do Avante! desde a sua primeira edição, em 1976, com um reconhecido papel na escolha da programação cultural, particularmente dos espectáculos musicais. Um caminho que se inicia quando em Portugal não existiam ainda os meios técnicos necessários à realização de espectáculos com estas características e dimensões, como teve oportunidade de contar em entrevista ao AbrilAbril por ocasião da 40.ª edição da Festa do Avante!. Dos milhares de músicos que passaram pelos vários palcos, destaca-se a predominância de artistas portugueses e uma grande variedade.

Foi eleito deputado à Assembleia da República pela Coligação Democrática Unitária (CDU), em 1995, vereador da Câmara Municipal de Setúbal, em 1997, e vereador na Câmara Municipal de Lisboa, entre 2005 e 2013.

Foi funcionário do PCP entre 1974 e 1997, membro do Comité Central desde 1979, e chefe de redacção do Avante!, órgão central do PCP, entre 1974 e 1995.

Jornalista, historiador e programador cultural

Foi repórter e redactor coordenador de O Século em 1963 e editor-paginador em 1971. Foi chefe de redacção da Vida Mundial em 1967. Teve colaborações em numerosas publicações, nomeadamente na Seara Nova e no Expresso. Foi cronista no Diário de Notícias e comentador da SIC Notícias. Dirigiu entre 1986 e 1990 a rádio local Telefonia de Lisboa. Produzia, desde 2009, o programa Crónicas da Idade Mídia e participava no programa Os Radicais Livres na Antena 1.

Foi membro da Comissão Executiva das Festas de Lisboa e da Comissão Municipal de Preparação de LISBOA 94 – Capital Europeia da Cultura, comissário para as áreas de Música Popular e Edições de LISBOA 94 e director artístico do Festival das Músicas e Portos, em 1999, nomeado pela Câmara Municipal de Lisboa. Foi também membro do Conselho Consultivo do Centro Cultural de Belém.

Publicou os livros Dossier Carlucci-CIA, Festas de Lisboa, As Músicas do Fado, Seis Canções da Guerra de Espanha, Um Século de Fado, Histórias do Fado, As Palavras das Cantigas, de José Carlos Ary dos Santos. Produziu vários discos, entre os quais Uma certa maneira de cantar, A Internacional, Pete Seeger em Lisboa, 25 Canções de Abril, Lisboa Cidade Abril, Carvalhesa Grândolas.

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