O Secretário-geral do PCP, ao discursar hoje num comício do PCP em Almada, classificou as afirmações do Presidente da Comissão Europeia que, quando questionado sobre a não aplicação de sanções à França por défice excessivo, respondeu «que o Pacto não se aplica à França, porque é a França», como um acto de sinceridade ou um descuido irrefletido: «se não foi descuido, louvemos-lhe a sinceridade de confirmar o que desde sempre e há muito sabíamos e denunciávamos: para os países do directório das grandes potências não há punições! Nunca houve para Alemanha, nunca houve para a França!».
A este propósito, Jerónimo de Sousa acusou ainda o presidente do Eurogrupo de vir a público mostrar-se indignado e em desacordo com tal justificação «não pelo facto da França não ser punida, isso ele já sabia e aceitou-o, mas pelo facto de tal justificação ser pública e confirmar que nesta União Europeia há dois pesos e duas medidas e as políticas de solidariedade e coesão social serem simples recursos linguísticos para enfeitar discursos».
O líder do PCP sublinhou ainda que está na hora de dizer «basta de submissão à União Europeia e aos seus instrumentos de dominação», face às ameaças da União Europeia «de sanções contra Portugal a pretexto do défice excessivo de 2015 e as exigências de medidas de regressão económica e retrocesso social a decidir neste mês de Junho», que constituem «um autêntico cerco ao País, com o corrupio de declarações e exigências vindas do FMI, da Comissão Europeia, do BCE, que tratam Portugal com a sobranceria de quem trata com uma colónia».
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