As rendas aumentam, as prestações do crédito à habitação escalam, e as dificuldades das famílias aumentam. Nesta tempestade perfeita que dá azo a uma profunda crise social, os lucros dos fundos imobiliários ampliam e a banca ganha 14 milhões de euros de lucros por dia. A realidade é conhecida e os conhecidos por defender o estado actual também.
Apesar disso, tal não impediu a presidente da Iniciativa Liberal de fingir preocupação com a situação da habitação e, após uma reunião com a Confederação Empresarial de Portugal (CIP), propôs uma reunião com todos os partidos com assento parlamentar para «chegar a consensos».
Mariana Leitão procurou, desta forma, esconder as opções do seu partido na salvaguarda dos interesses especulativos. A líder dos liberais disse que o objetivo é encontrar soluções que se tornem «uma realidade o mais depressa possível», em vez de «processos legislativos que se arrastam durante meses, que muitas vezes acabam por nem sequer ver a luz do dia».
Importa relembrar que no debate sobre as questões da habitação realizado no dia 30 de Novembro, além de ter votado a favor do Novo Regime do Arrendamento Urbano proposta pelo Governo que incentiva ainda mais a especulação imobiliária, a IL levou a votação também uma proposta própria intitulada «pela verdadeira revogação dos regimes de congelamento de rendas - A Acção Social é do Estado, não do Privado».
A proposta dos liberais defendia uma total desprotecção dos inquilinos que ficariam à mercê das vontades dos senhorios e fundos imobiliários. Veja-se que, a título de exemplo, nesse mesmo debate, Mário Amorim Lopes, deputado da IL, disse em alto e bom som que «o direito à habitação não significa o direito à casa dos outros».
A líder do liberais responde desta forma ao apelo do Presidente da República, simplesmente num sentido performativo, sem querer responder verdadeiramente À crise da habitação, uma vez que propõe discutir apenas a habitação pública, a desburocratização e a questão da baixa de impostos, ou seja, nada realmente que combate a especulação imobiliária.
Não deixar de ser elemento de destaque que esta proposta de reunião e os temas escolhidos, para além da omissão das reais causas da crise habitacional, surja depois de Mariana Leitão ter reunido com a CIP, organização que defende os grandes grupos económicos e cujo presidente, ainda na passada semana afirmou que «o Estado serve para facilitar a vida aos privados».
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