Passar para o conteúdo principal

|bombeiros

Escola Nacional de Bombeiros: legado, desafios e futuro

Ao criar condições para carreiras qualificadas, Portugal fortalece a proteção das populações e prepara o setor para os desafios da próxima década. Os bombeiros merecem – e o país necessita – uma formação superior à altura da responsabilidade que assumem diariamente.

Créditos Estela Silva / Agência Lusa

A Escola Nacional de Bombeiros (ENB) nasceu formalmente há 30 anos, mas a sua construção começou em 1980, quando a Lei Orgânica do Serviço Nacional de Bombeiros consagrou pela primeira vez a necessidade de uma estrutura nacional dedicada à formação técnica dos bombeiros. Desde então, debates, estudos e decisões políticas transformaram uma aspiração antiga numa instituição central da proteção civil portuguesa.

A ENB cresceu num contexto político por vezes adverso, enfrentou resistências e limitações financeiras, mas manteve o seu propósito: formar bombeiros, qualificá-los técnica e humanamente e reforçar o reconhecimento público da sua missão. O percurso consolidou a Escola como referência pedagógica, elevando padrões de exigência e profissionalismo.

A minha relação com a ENB acompanhou 12 anos deste caminho: primeiro como Vogal da Direção, num período de afirmação institucional; depois como Presidente da Direção durante oito anos, numa fase marcada pela consolidação do modelo formativo, pelo reforço das relações com os corpos de bombeiros e entidades públicas e pela estabilização de processos essenciais ao funcionamento da Escola. 

A experiência acumulada confirmou que a ENB é um pilar da segurança coletiva e que a formação é, simultaneamente, responsabilidade técnica e missão pública. A história da Escola é também a história dos seus formadores – internos e externos –, que, com dedicação e competência, transformaram programas e metodologias em prática formativa rigorosa.

Muitos trouxeram décadas de experiência operacional; outros aportaram conhecimento especializado em áreas científicas e técnicas essenciais ao socorro moderno. Todos contribuíram para uma cultura pedagógica exigente e comprometida com a segurança das populações. A estes profissionais juntam-se os trabalhadores que, longe dos holofotes, asseguraram a estabilidade e o funcionamento diário da instituição.

«A experiência acumulada confirmou que a ENB é um pilar da segurança coletiva e que a formação é, simultaneamente, responsabilidade técnica e missão pública. A história da Escola é também a história dos seus formadores – internos e externos – que, com dedicação e competência, transformaram programas e metodologias em prática formativa rigorosa.»

Muitos trouxeram décadas de experiência operacional; outros aportaram conhecimento especializado em áreas científicas e técnicas essenciais ao socorro moderno. Todos contribuíram para uma cultura pedagógica exigente e comprometida com a segurança das populações. A estes profissionais juntam-se os trabalhadores que, longe dos holofotes, asseguraram a estabilidade e o funcionamento diário da instituição.

Apesar deste percurso, a ENB enfrentou críticas, muitas vezes assentes numa visão consumista da formação, reduzida à obtenção rápida de certificados. Ignoraram a complexidade técnica do ensino, a exigência das matérias e o papel estruturante da Escola na preparação de bombeiros altamente qualificados. 
A resposta da ENB foi sempre clara: a formação não é um produto, é um investimento estratégico na proteção civil, sustentado por metodologias robustas, avaliação contínua e qualificação permanente dos seus formadores.

Num momento em que se perspetivam mudanças na governação da Escola e a sua evolução para Academia de Bombeiros, importa reforçar a ambição. A ENB deve afirmar-se como centro de produção de conhecimento, investigação aplicada e inovação tecnológica, estudando modelos organizacionais, gestão de crises, tecnologias emergentes e valorizando os homens e mulheres que servem as populações, profissional ou voluntariamente.
Valorizar a profissão de bombeiro – reconhecendo o valor social da sua missão, garantindo condições dignas e certificando competências – é essencial para atrair e reter talento. 

Ao criar condições para carreiras qualificadas, Portugal fortalece a proteção das populações e prepara o setor para os desafios da próxima década. 

Os bombeiros merecem – e o país necessita – uma formação superior à altura da responsabilidade que assumem diariamente. 

A ENB continuará a ser uma variável decisiva dessa equação.

O autor escreve ao abrigo do Acordo Orográfico de 1990 (AO90)

Tópico

Contribui para uma boa ideia

Desde há vários anos, o AbrilAbril assume diariamente o seu compromisso com a verdade, a justiça social, a solidariedade e a paz.

O teu contributo vem reforçar o nosso projecto e consolidar a nossa presença.

Contribui aqui