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CNA: Medidas anunciadas pelo Governo «são insuficientes»

Agricultores pedem ajudas a fundo perdido e defendem que é urgente travar a especulação com o preço dos factores de produção, salientando que não se justifica a «brutal» escalada de preços.

Créditos / Agronegócios

Enquanto tardam os apoios à produção, vai lucrando a especulação. A denúncia é largada pela Confederação Nacional da Agricultura (CNA) num comunicado divulgado esta terça-feira, onde afirma que as medidas anunciadas pela ministra da Agricultura para fazer face à seca e aos efeitos do conflito no Leste da Europa «são manifestamente insuficientes para acudir à grave situação dos agricultores».

A CNA defende que o Governo e o Ministério da Agricultura «não podem continuar com o ilusionismo político da já conhecida propaganda dos milhões para a agricultura», salientando que a antecipação das ajudas da Política Agrícola Comum (PAC), ainda que positiva, não é uma medida extraordinária. Alerta, por outro lado, que as anunciadas linhas de crédito vão agravar o endividamento de um sector já estrangulado, sobretudo as pequenas e médias explorações.

«Para além das derrogações, de créditos ou projectos de investimento para o futuro, os agricultores precisam urgentemente de ajudas a fundo perdido pela perda de rendimento e capazes de repor o potencial produtivo perdido», lê-se na nota.

Segundo a Confederação, que no próximo dia 24 promove uma acção de protesto em Braga, perante as «crescentes e incomportáveis» despesas e o clima de instabilidade, «são muitos» os agricultores que receiam avançar com as culturas de Primavera/Verão, o que pode levar ao fim de muitas explorações e a uma maior dependência externa em bens agro-alimentares. 

Ao mesmo tempo, defende que é preciso melhorar a distribuição de valor ao longo da cadeia e apela ao «bom senso» da grande distribuição na fixação dos preços, recordando que os agricultores ficam com menos de 20% desse valor, para concluir que pagar um preço justo aos agricultores não tem que resultar num aumento do preço cobrado ao consumidor.

A CNA, que ontem participou numa reunião do Ministério da Agricultura com as confederações, salienta que cabe ao Governo travar a especulação. «Se o petróleo que agora está a ser refinado foi comprado a preços muito inferiores aos actuais, se não há escassez no mercado, como se justifica a escalada brutal de preços?», pergunta-se na nota, onde se denuncia que o gasóleo agrícola duplicou de preço no último ano. 

Além da isenção ou redução de tributação em sede de Imposto sobre Produtos Petrolíferos (ISP) para o gasóleo agrícola, a Confederação defende, por parte do Governo, a imposição de um tecto máximo nos preços dos combustíveis e a regulação do mercado, que neste momento «só favorece» as grandes empresas petrolíferas.

«Não se pode admitir que enquanto as empresas de combustíveis apresentam lucros milionários, o Governo fique à espera de autorizações de Bruxelas para mexer nos impostos sobre os combustíveis ou para qualquer outra alteração», critica.

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