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A casa assombrada ou o regresso da teoria das inevitabilidades

Passados mais de três sobre a queda da teoria das inevitabilidades, Ana Sá Lopes retoma a mesma tese, no editorial do Público, agora a propósito da União Europeia.

CréditosPatrick Seeger / EPA

A teoria das inevitabilidades e do «não é possível» serviu de base a analistas e comentadores para procurarem justificar a acção destruidora do governo do PSD e do CDS-PP e, se possível, perpetuar a sua política de exploração, declínio e retrocesso social.

Falando da Europa como se da União Europeia (UE) se tratasse, Ana Sá Lopes (ASL) afirma, no editorial do Público, que a «Europa é cada vez mais uma casa assombrada de onde não se pode sair», apontando como caminho a resignação.

A verdade é que não se trata de uma fatalidade a submissão à UE, e particularmente ao euro e às imposições que lhe estão associadas ao longo das últimas décadas, e que, no caso português, têm alimentado a destruição da produção nacional, o assalto a empresas públicas e a sectores estratégicos da nossa economia, ao subfinanciamento, à degradação e encerramento de serviços públicos, à precariedade laboral e à limitação da capacidade de decidirmos de forma soberana as políticas mais conformes com as nossas necessidades isto é, de decidirmos por nós próprios aquilo que nos diz respeito.

«Os fantasmas ocupam cada vez mais quartos na casa de onde não se consegue sair». Este sublinhado de ASL, referindo-se à UE, é verdadeiro, considerando a falta de «quartos» para acolher a estagnação, a austeridade, a redução e contenção dos salários, a perda de poder de compra dos trabalhadores, a redução de direitos sociais, a pobreza, as desigualdades, a emigração, o desinvestimento e o endividamento, que são também o pasto que tem alimentado uma extrema-direita xenófoba e racista que desperta por essa Europa, mas não só.

Estes mais de três anos desta nova fase da vida política nacional, depois da derrota do governo do PSD e do CDS-PP, mostram, por um lado, que a contemplação e a resignação não são o caminho, e, por outro, que foi a combatividade e a determinação que permitiram, mesmo no quadro actual, resistir às pressões e chantagens da UE.

Aliás, foi mesmo ao arrepio de certas determinações de Bruxelas que alguns dos mais significativos avanços verificados nestes anos foram concretizados, nomeadamente a reposição de direitos e rendimentos.

Esta tese de «como sair de uma casa assombrada quando não se tem para onde ir», pode, em última análise, conduzir ao suicídio, sobretudo se não a abandonarmos antes que as chamas a reduzam a cinzas.

E, cuidado, porque o fogo já lá anda!

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