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Campo democrático apela ao voto contra a extrema-direita

Logo após as eleições, PCP, PEV, Bloco de Esquerda, Livre e PAN apelaram ao voto em António José Seguro. À direita, o aparente demissionismo não passa de cumplicidade com um projecto tenebroso de classe.

CréditosJosé Coelho / Agência Lusa

Contabilizados os votos na primeira volta das eleições presidenciais, o actual contexto exige às forças democráticas a recusa de uma agenda reaccionária, antagónica aos valores de Abril, que procura impor um projecto político retrógrado e anti-democrático. Neste sentido, a opção passa por, inequivocamente, votar em António José Seguro.

Ainda na noite eleitoral, o PCP, à altura do que o momento exige, endossou prontamente Seguro. Considerando que o que se impõe é «impedir a possibilidade de se vir a instalar como Presidente da República quem, para lá do comprometimento com a política de direita e de partilha com muitas das opções do actual Governo e maioria parlamentar, assume uma agenda ditada por critérios e concepções  reaccionárias, retrógradas e anti-democráticas», Paulo Raimundo vincou que a situação «exige o voto contra a candidatura reaccionária de André Ventura que conduz ao voto no candidato António José Seguro».

Enquanto que o PCP entende que nesta segunda volta «não é possível garantir o afastamento do exercício das funções presidenciais uma clara identificação com a política de direita e do que ela representa de apoio e promoção dos interesses dos grupos económicos», o Bloco de Esquerda optou por celebrar o que considera ser uma «derrota do Governo».

Apesar disso, José Manuel Pureza, afirmou: «Como coordenador do Bloco de Esquerda, eu proporei à mesa nacional que se reúne amanhã, que apele ao voto em António José Seguro para vencer André Ventura, para vencer a extrema direita». Para o mesmo, «o Bloco de Esquerda não se engana e não hesita sobre a sua responsabilidade deste momento». 

Pelo Livre, os seus co-porta-vozes, Rui Tavares e Isabel Mendes, anunciaram na noite eleitoral que o seu partido deve apoiar António José Seguro na segunda volta das eleições presidenciais, faltando apenas formalizar a decisão em consulta interna. Segundo Tavares, o seu partido Livre estará «do lado da democracia e da defesa da Constituição». 

Também o PAN anunciou que vai apoiar a candidatura de António José Seguro na segunda volta das eleições presidenciais. A decisão foi tomada na sequência de uma reunião da sua Comissão Política Nacional e comunicada ao final da noite de domingo. Em comunicado, o partido liderado por Inês de Sousa Real enquadra a decisão como sendo tomada «num momento decisivo para a democracia portuguesa», considerando que a primeira volta revelou «uma preocupante fragmentação do eleitorado». Para o mesmo, a escolha «é mais do que uma decisão entre perfis», tratando-se antes de uma opção «entre a defesa da democracia ou um ataque à democracia, às instituições e à estabilidade democrática».

O PEV considera também que face aos resultados da primeira volta, e com a passagem de António José Seguro e André Ventura à segunda volta, é  necessária uma «firme e inequívoca rejeição do caminho da ascensão da extrema-direita no nosso país». Em comunicado, os ecologistas consideram que «não se trata nesta segunda volta de uma opção entre esquerda e direita, mas sim de uma necessidade de defender a democracia, pelo que o voto em António José Seguro é aquele que poderá garantir a derrota do candidato que representa a intolerância, os discursos de ódio, a arrogância e a ameaça aos valores democráticos».
 

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