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Acesso à saúde oral em Portugal continua deficiente

O Barómetro da Saúde Oral de 2019 informa que 30% dos portugueses não vão ao dentista e perto de 10% não têm sequer um dente.

Dentistas voluntários tratam gratuitamente mais de mil seropositivos no Centro Médico Dentário da Abraço. Lisboa, 30 de Novembro de 2014.
Dentistas voluntários tratam gratuitamente mais de mil seropositivos no Centro Médico Dentário da Abraço. Lisboa, 30 de Novembro de 2014. CréditosINÁCIO ROSA / Agência LUSA

Os dados serão apresentados esta sexta-feira no Congresso da Ordem dos Médicos Dentistas e o barómetro, que foi iniciado em 2014, avança ainda com dados (que se mantêm inalterados desde então) de que há 6,8% de portugueses que nunca vão a consultas de medicina dentária e que cerca de 25% só vão em caso de urgência.

Destes, um em cada cinco afirma não ter capacidade financeira para aceder a estes cuidados, ainda que este número tenha descido face ao verificado no ano passado. Quando se iniciou este barómetro, em 2014, quase três em cada quatro (72%) dos inquiridos consideravam a medicina dentária uma área mais cara do que as outras áreas da saúde, sendo que nesta edição o número caiu para pouco mais de metade (54%).

Verifica-se ainda que um em cada três portugueses (35,7%) não vai ao dentista há mais de um ano.

Dos inquiridos, 87,4% confirmaram que mantêm regularidade em idas ao dentista, tendo diminuído o número, face ao ano de 2018, daqueles que diminuíram a frequência destas consultas.

O barómetro explica que, «ainda que os resultados mostrem que os portugueses estão a ir ao médico dentista com maior regularidade, não são novos doentes, são doentes habituais que aumentaram a regularidade das visitas aos consultórios de medicina dentária». E avança que o aumento de utentes com seguros ou planos de saúde também ajuda a explicar este aumento, uma vez que em 2014 eram apenas 4%, e, agora, já chegam aos 15%.

Neste ano, o número de portugueses com a dentição completa mantém-se perto dos 31%, assim como o de portugueses com falta de todos os dentes (10%).

Quase metade dos portugueses que hoje têm falta de dentes naturais não possuem dentes de substituição (48,6%), tendo este número descido relativamente a 2014, quando a percentagem era de 56,1%.

O bastonário da Ordem dos Médicos Dentistas, Orlando Monteiro da Silva, entende que «são estas pessoas, por regra com menos recursos e informação, as mais vulneráveis e as que mais precisam de resposta urgente por parte do Ministério da Saúde».

Segundo o bastonário, «há 59% de portugueses que não sabem que o Serviço Nacional de Saúde disponibiliza a área de medicina dentária», o que exige «maior divulgação das consultas de medicina dentária nos centros de saúde e que os médicos de família indiquem os doentes em condições de aceder a essas consultas».

Os inquiridos pelo barómetro consideram que grávidas, diabéticos e portadores de doenças cardíacas ou respiratórias deveriam ter um acesso mais facilitado a cuidados de medicina dentária.

Com agência Lusa

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