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Propaganda da Altice desmentida pela Anacom

4600 casas continuam sem telefone após os incêndios

De percentagens, as populações a quem a Altice ainda não religou o telefone ganharam um número: são 4600 clientes, de acordo com a Anacom. O regulador critica a operadora e a NOS, mas a ausência de medidas mantém-se.

CréditosPAULO NOVAIS / LUSA

De acordo com as informações recolhidas pela Autoridade Nacional das Comunicações (Anacom), há 4600 clientes que ainda não tiveram o serviço de telecomunicações reposto após os incêndios de Outubro passado, 99% dos quais da Altice.

A realidade foi denunciada por Jerónimo de Sousa, na Assembleia da República, e incialmente desmentida pela operadora, que viria a reconhecer que 0,5% dos seus clientes continuavam sem telefone. Com a revelação da Anacom, ontem, as percentagens da Altice ganharam forma.

A reacção da multinacional francesa foi de «surpresa», como tem reagido sempre que é confrontada com a situação. Apesar de afirmar que disponibilizou meios de comunicação alternativos, os telemóveis que foram entregues às populações, em casos que vêem sendo noticiados, não funcionam porque não há rede.

O presidente da Anacom criticou ainda a NOS, que é a actual operadora do serviço universal, por não ter dado resposta à situação dramática que se instalou após os incêndios de Outubro. No entanto, a empresa cobra 88,35 euros pela instalação do serviço aos clientes que solicitem a adesão ao serviço universal, que ainda terão que pagar uma mensalidade superior a 15 euros, sem comunicações incluídas.

A NOS apresentou recentemente lucros de 124 milhões de euros relativos a 2017 e pretende entregar mais de 150 milhões aos seus accionistas em dividendos. A PT/Meo garantiu lucros de mais de 300 milhões de euros ao grupo Altice, sem contar com as despesas com dívida que a multinacional francesa transferiu para a sua subsidiária portuguesa.

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