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Utentes do Litoral Alentejano exigem melhor saúde

As comissões de utentes do Litoral Alentejano denunciam a «situação crítica» a que chegaram várias unidades de saúde da região e exigem uma mudança de políticas que ponha fim à delapidação do SNS. 

As comissões denunciam que a consulta de oftalmologia no HLA tem quase 2800 utentes em lista de espera
As comissões denunciam que a consulta de oftalmologia no HLA tem quase 2800 utentes em lista de esperaCréditos / Avivo Group

Num comunicado emitido após a reunião da última sexta-feira, as comissões de utentes do Litoral Alentejano dão conta do apuramento realizado sobre os diversos serviços públicos da região, em particular na área da Saúde. 

«A Unidade Local de Saúde do Litoral Alentejano (ULSLA) chegou a uma situação crítica, limitando o acesso dos utentes aos diversos cuidados de saúde», lê-se no texto.

Além da existência de «graves problemas» em várias extensões de saúde, como a de Palma, em Alcácer do Sal, ou a de Vila Nova de Santo André, no concelho de Santiago do Cacém, os utentes criticam a falta de acesso a cuidados de saúde nalgumas localidades. 

«É inadmissível», dizem, que a população de Canal Caveira (Grândola) e de Vale de Santiago (Odemira) só tenha acesso a cuidados de saúde médicos 
«de 15 em 15 dias», sublinhando que, se, por qualquer motivo, o médico não for no dia previsto, os utentes ficam sem consulta, pelo menos, durante um mês. 

Os utentes criticam ainda o facto de as extensões de saúde de São Bartolomeu e São Francisco da Serra (Santiago do Cacém), e de Barrancão (Alcácer do Sal) continuarem encerradas. 

Urgência pediátrica sem pediatras

É ao Hospital do Litoral Alentejano (HLA), em Santiago do Cacém, que se dirige a maior parte das críticas realizadas pelos utentes. É a Urgência Pediátrica que funciona sem médicos especialistas em pediatria, «sendo as crianças observadas por médicos indiferenciados», mas também os tempos máximos de resposta garantidos que «não são cumpridos» num sem número de serviços. 

Além do encerramento de 20 camas no HLA desde Janeiro de 2018, para os utentes é «incompreensível» a carência de cerca de 100 enfermeiros na ULSLA. 

«É intolerável o Conselho de Administração afirmar que não há dinheiro para contratação de profissionais de saúde e existirem serviços que funcionam através de contratação externa como, por exemplo, a Cardiologia, a Imagiologia e a Oftalmologia, entre outros», denunciam.

A diminuição das listas de utentes por cada médico de família, de 1900 para 1500 utentes, e a criação do enfermeiro de família são outras das reivindicações elencadas  pelas comissões de utentes.

Reconhecendo que o Serviço Nacional de Saúde (SNS) «se encontra delapidado», as comissões de utentes admitem que a situação resulta das «opções políticas erradas» dos sucessivos governos do PS, do PSD e do CDS-PP, e apelam à participação na manifestação que a CGTP-IN promove no dia 9 de Junho, em Lisboa

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