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Quebras na produção de cereja na Madeira põem em risco economia familiar

Os produtores de cereja e de ginja na ilha estimam que, neste ano, terão perdas de quase 90% da produção normal, em consequência de impactos negativos das condições meteorológicas.

Créditos / Agronegócios

Em causa está a subsistência de vários produtores de cereja e de ginja na Região Autónoma da Madeira, designadamente das freguesias do Jardim da Serra, do Curral das Freiras e também da Serra de Água, gravemente afectadas pela quebra de produção causada pelas condições climatéricas que se têm feito sentir desde o início de 2020.

Em declarações ao AbrilAbril, Alexandre Fernandes, dirigente regional do PCP, afirma que as duas vagas de calor que aconteceram em Janeiro e Fevereiro se somaram a uma perspectiva já «não muito animadora» de um Inverno seco, que afectou o desenvolvimento das cerejeiras. Estima-se que apenas 10% dos 64 hectares se salvem, o que corresponde a cerca de apenas 27 toneladas.

«Os produtores locais têm uma importância tremenda na economia familiar», afirmou o dirigente, defendendo que a secretaria regional da agricultura deveria pensar em medidas compensatórias, «imediatas mas também a médio e longo prazo». «Estas espécies são mais susceptíveis às alterações climáticas e a um parasita que as tem vindo a afectar, pelo que devem ser substituídas», referiu.

Todo este quadro adverso, a que se somam às dificuldades criadas pelos impactos do surto epidémico da Covid-19, cria previsíveis rupturas no tecido económico e social e coloca fortes ameaças à base de subsistência económica de muitas famílias do mundo rural nesta região.

Para mitigar os elevados prejuízos para as economia locais e regional, o PCP apresentará na Assembleia Legislativa da Madeira um projecto de resolução reivindicando apoios compensatórios pelas quebras na produção de cereja e de ginja.

Ricardo Lume, deputado do PCP nesta Assembleia Regional, afirmou ao AbrilAbril que «deve haver, da parte das entidades públicas, apoios extraordinários para identificar a dimensão do problema» e acudir a estas famílias.

«É responsabilidade do Governo Regional tomar medidas urgentes para salvaguardar o rendimento destes produtores e identificar soluções futuras para garantir a sua subsistência», sublinhou.

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