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PS e PSD boicotam investimento nas redes de água e saneamento

O presidente da Câmara Municipal de Loures, Bernardino Soares, afirmou esta quinta-feira que o chumbo do orçamento dos serviços intermunicipalizados causa «sérios prejuízos» às populações e aos trabalhadores. 

Bernardino Soares admitiu que a criação dos SIMAR, «que o PS de Loures nunca quis fazer», «travou a morte dos SMAS»
Bernardino Soares admitiu que a criação dos SIMAR, «que o PS de Loures nunca quis fazer», «travou a morte dos SMAS»Créditos / CM Loures

Foi no passado dia 30 de Dezembro que os eleitos do PS e do PSD na Assembleia Municipal de Loures chumbaram o orçamento dos Serviços Intermunicipalizados de Águas e Resíduos de Loures e Odivelas (SIMAR), que previa mais investimento e melhor serviço aos cerca de 350 mil habitantes dos dois concelhos. 

Tal como recordou hoje em conferência de imprensa o presidente da Câmara de Loures, o orçamento e o tarifário dos SIMAR para 2018 foram aprovados na Câmara de Loures com o voto favorável da CDU, a abstenção do PS e o voto contra do PSD.

«Foram também aprovados na Câmara de Odivelas e, no caso do orçamento (uma vez que o tarifário, nos termos da lei, só é votado em Câmara), também na Assembleia Municipal de Odivelas. O orçamento dos SIMAR para 2018 foi rejeitado apenas na Assembleia Municipal de Loures», sublinhou Bernardino Soares. 

O PS e o PSD justificaram a discordância com o aumento de 1,4% do tarifário do preço da água devido à inflação e por recomendação da Entidade Reguladora dos Serviços de Água e Resíduos (ERSAR). Mas, para o presidente do município, o motivo «não tem qualquer justificação». 

«Primeiro porque se trata de uma mera actualização no valor da inflação, aliás de acordo com a recomendação da ERSAR. Nos anos de gestão CDU só houve até agora tarifários com aumento zero ou apenas com a actualização da inflação», explicou.

Mas também, acrescentou Bernardino Soares, «porque, entre 2015 e 2018, perante o aumento em 16,4% do custo do metro cúbico da água que nos é vendida pela EPAL e em 14,3% do custo do tratamento por metro cúbico de águas residuais, foi opção dos SIMAR não repercutir nas tarifas estes valores, facto só possível com uma gestão rigorosa e que permitiu ainda assim levar por diante importantes investimentos, sendo que 2017 terá tido a maior taxa de execução de investimentos dos últimos anos».

O edil denunciou a «gravidade» da posição «irresponsável» do PS, que, «depois de ter viabilizado o tarifário e o orçamento em reunião de Câmara, veio rejeitar este último na Assembleia Municipal, sem qualquer aviso prévio ou questionamento, nem sequer no período de conversações que decorreu até à discussão dos documentos». 

O chumbo do orçamento dos SIMAR, de cerca de 80 milhões de euros, trava a concretização de «importantes investimentos previstos para 2018, sendo aliás os mais importantes em freguesias presididas por eleitos do PS (designadamente Santo António dos Cavaleiros e Frielas, e Sacavém e Prior Velho) que, contra os interesses das suas freguesias, também votaram contra, para além dos previstos para o concelho de Odivelas», admitiu Bernardino Soares.

Entretanto, estão ainda a ser avaliadas todas as consequências resultantes da rejeição do orçamento, onde se incluem as progressões remuneratórias dos trabalhadores. 

«Atendimento aos utentes melhorou significativamente»

Os SIMAR foram criados em 2014, fruto do acordo estabelecido entre os municípios de Loures e de Odivelas. Tal como Bernardino Soares admitiu esta manhã, desta forma «travou-se a morte anunciada dos SMAS de Loures» e o «atendimento aos utentes melhorou significativamente, sendo necessário continuar a apostar nesta área».

A gestão dos SIMAR dos últimos anos, acrescentou o edil, «inverteu a tendência de degradação que se vinha verificando nos anos anteriores, mantendo-se ainda insuficiências que é preciso corrigir».

O presidente destacou o investimento em recursos humanos, viaturas, contentores e outros meios para a recolha de resíduos, «que necessita de continuidade para suprir as lacunas que ainda existem e acompanhar o crescimento da produção de resíduos com o aumento da actividade económica», mas também a renovação programada de redes de águas e esgotos.

«Não havia um único projecto quando aqui chegámos, passou a ser uma realidade e tem previstos fortes investimentos no orçamento agora rejeitado por PS e PSD», esclareceu.

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