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Autarquias contra encerramento dos CTT

Mais de 20 autarquias subscreveram um ofício dirigido pela Câmara do Seixal à administração dos CTT, esta segunda-feira, contra o encerramento de 22 lojas, em todo o País. A comunicação antecede a reunião agendada para o dia 5 de Fevereiro. 

População e autarcas, designadamente o presidente da Câmara Municipal do Seixal, manifestaram-se no dia 11 de Janeiro contra o encerramento do posto dos CTT em Aldeia de Paio Pires
População e autarcas, designadamente o presidente da Câmara Municipal do Seixal, manifestaram-se no dia 11 de Janeiro contra o encerramento do posto dos CTT em Aldeia de Paio PiresCréditosMiguel A. Lopes / Agência Lusa

Os presidentes dos municípios de Alpiarça (Santarém), Loulé (Algarve), Loures (Lisboa), Santa Maria da Feira (Aveiro), Paços de Ferreira (Porto) e da Calheta (Madeira), são alguns dos signatários da missiva enviada pela Câmara do Seixal aos CTT, a que se juntam presidentes de juntas de freguesia como a do Areeiro (Lisboa), Paranhos (Porto) e da União das Freguesias de Abrantes (Santarém). 

Os eleitos admitem que a intenção anunciada pelos Correios, de encerramento de 22 lojas, a nível nacional, «será mais um passo no desmantelamento de um serviço público essencial ao País e às populações».

Quanto aos motivos da decisão, dizem que «não se vislumbram razões válidas, de qualquer ordem, que recomendem ou justifiquem o encerramento» destas lojas. Por outro lado, defendem que o serviço postal «nunca poderá estar inteiramente subjugado à lógica da maximização do lucro, considerando o seu carácter eminentemente público» e que, «além da proximidade que garante aos cidadãos seus destinatários, com todos os efeitos positivos que daí resultam, a existência de lojas dos CTT constituem âncoras de desenvolvimento do território». 

As autarquias acreditam que o encerramento das lojas (até ao momento já encerraram oito) provocará o encerramento de diversas actividades económicas e levará à perda do nível de desenvolvimento económico e social. 

Os signatários da missiva alertam ainda para o ataque constitucional da medida, uma vez que «não respeita nem garante a efectivação dos direitos e liberdades fundamentais como o princípio da igualdade dos cidadãos portugueses, independentemente do local onde vivem».

Cerca de 15 mil habitantes na Aldeia de Paio Pires

No concelho do Seixal, a loja visada pela administração dos CTT é a da Aldeia de Paio Pires, onde actualmente residem cerca de 15 mil habitantes. Numa tomada de posição, a Câmara frisa que, após o encerramento da loja em Amora, em 2013, a população do Seixal vê-se confrontada com mais um encerramento de serviços de proximidade que, além de lesar os seus interesses, afecta também a economia local. 

O município recorda que é na Aldeia de Paio Pires, com um «número significativo de pessoas com dificuldade de mobilidade», que estão sedeados os principais parques industriais do concelho, estando prevista a «instalação de novas empresas a breve prazo».  

Por estas razões, a Câmara do Seixal refere no documento que não «alcança a lógica de encerramento de balcões dos CTT, a não ser por factores meramente economicistas, e consequente despedimento de trabalhadores, bem como a acentuada degradação do serviço postal».

Motivos que levaram o município a requerer a reunião com a administração dos Correios, tendo endereçado convite a todas as autarquias subscritoras do ofício enviado ontem. 

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