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Venezuela deu 48 horas ao Grupo de Lima para alterar atitude ingerencista

A Venezuela irá tomar medidas «mais duras» contra os países que não respeitam as suas instituições e soberania. A ANC actuará contra as atitudes «conspirativas e traidoras» da direita venezuelana.

As autoridades venezuelanas acusam a Casa Branca de ter em curso um plano para promover a violência no país sul-americano
As autoridades venezuelanas acusam a Casa Branca de ter em curso um plano para promover a violência no país sul-americanoCréditos / Alba Ciudad

O Governo venezuelano deu um prazo de 48 horas aos governos do chamado Grupo de Lima para «rectificarem o seu posicionamento ingerencista» no que respeita às instituições, à integridade e à soberania territorial do país caribenho.

Falando esta quarta-feira num encontro com jornalistas no Palácio de Miraflores, em Caracas, o presidente Nicolás Maduro sublinhou que, se esse prazo não for respeitado, o seu país tomará «medidas diplomáticas mais duras», dado ser «inaceitável» que, na declaração emitida no passado dia 4, a coligação de países americanos com governos de direita e aliados dos EUA não reconheça a legitimidade do chefe de Estado e pretenda alterar os territórios marítimos da Venezuela, atribuindo a sua jurisdição à República da Guiana.

A declaração do Grupo de Lima põe fim às «possibilidades de tolerância», disse Nicolás Maduro, sublinhando que, por trás do documento, está a pretensão de outros se apoderarem dos recursos venezuelanos.

Neste sentido, referiu-se à existência de «forças extremistas», promovidas pela administração norte-americana, que têm por objectivo criar um cenário de violência no país para, assim, «poderem deitar a mão às riquezas da Venezuela», indica a AVN.

O chefe de Estado venezuelano, que hoje assume um segundo mandato, insistiu nas responsabilidades da administração dos EUA, que, através do Grupo de Lima, «ordenou a execução de um golpe de Estado» contra o governo a que preside. Reafirmou que, neste contexto, os venezuelanos saberão estar à altura.

Acção face à atitude conspirativa e traidora da direita venezuelana

Nicolás Maduro acusou dirigentes da direita venezuelana de terem apoiado «a redacção da declaração do Grupo de Lima», que não reconhece o novo mandato que o presidente hoje inicia e atribui mar sob jurisdição da Venezuela à Guiana.

Neste contexto, disse, não se descarta a possibilidade de a Assembleia Nacional Constituinte (ANC) tomar medidas contra movimentos de sedição preparados na Assembleia Nacional (AN), que se encontra em situação de «desobediência judicial» desde 2016 e com uma função legislativa limitada, depois de ter juramentado, ilegalmente, três candidatos a deputados do Amazonas, que haviam participado num processo fraudulento, segundo denunciou o Partido Socialista Unido da Venezuela (PSUV).

Na conferência de imprensa de ontem em Caracas, Maduro disse que deu instruções à vice-presidente da República, Delcy Rodríguez, para que estude o decreto emitido na véspera pela ANC, no qual, entre outros pontos, se manda investigar quem apoiar as declarações do chamado Grupo de Lima.

Maduro lembrou que, de acordo com a Constituição, todos os poderes estão subordinados ao Poder Constituinte, e declarou todo o seu apoio à iniciativa «pertinente e justa» da ANC, que consiste em investigar «a conduta conspiradora e golpista dependente do Cartel de Lima e da oligarquia colombiana, da maioria desses deputados (da AN em desobediência)», disse.

ANC tomará as medidas necessárias contra a traição

No programa «Con el Mazo Dando», transmitido pela Venezolana Televisión, o dirigente do PSUV e presidente da Assembleia Nacional Constituinte, Diosdado Cabello, pediu aos dirigentes da Assembleia Nacional (AN) que ponham de parte a «atitude traidora», ao apoiarem as acções ingerencistas promovidas pelo Grupo de Lima, refere a Prensa Latina.

«Se a AN mantiver a sua atitude, a Constituinte tomará as medidas necessárias para preservar a paz no nosso país», disse Cabello, sublinhando que os dirigentes da AN «devem assumir as suas responsabilidades».

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