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Professor indígena e defensor da terra assassinado no Cauca

A morte de Ulcué Collazos não está esclarecida. Para a Organização Nacional Indígena da Colômbia o docente é «mais uma vítima da guerra» que atinge o país e matou 173 dirigentes sociais só este ano.

Pelo menos nove camponesescolombianos foram mortos a tiro no dia 5, naquilo que ficou conhecido como o massacre de Tumaco
Há um ano, sete camponeses colombianos foram mortos a tiro, naquilo que ficou conhecido como o massacre de Tumaco (Nariño)Créditos / elespectador.com

José Domingo Ulcué Collazos era docente das disciplinas de Agropecuária e de Ética e Valores na escola Benjamín Dindicué, localizada na comunidade de La Esperanza da reserva indígena de Munchique de Los Tigres, no município de Santander de Quilichao.

De acordo com a nota emitida esta terça-feira pela Organização Nacional Indígena da Colômbia (ONIC), o docente seguia de motorizada, ontem à noite, neste município do departamento colombiano do Cauca, quando foi atacado a tiro por estranhos.

A organização, que afirma desconhecer os motivos e as circunstâncias do assassinato, sublinha que o docente é «mais uma vítima desta guerra que atinge toda a Colômbia, o Cauca e, em particular, os povos indígenas», apelando às autoridades para que tudo façam para evitar que «este tipo de factos continuem a ocorrer com impunidade».

Outras organizações lembraram a sua condição de professor e que o seu assassinato teve lugar em «tempos de mobilização pela educação», na véspera de uma greve nacional convocada pela Federação Colombiana de Trabalhadores da Educação (Fecode).

Também no Cauca, Jaime Rivera

O departamento do Cauca é, juntamente com o de Antioquia, um dos mais visados pelo assassinato selectivo de dirigentes sociais, de indígenas e de defensores dos direitos humanos. No passado dia 6, o dirigente social Jaime Rivera e dois dos seus filhos foram torturados e assassinados no município de Bolívar, depois de homens armados terem entrado em sua casa.

De acordo com a nota emitida pela Coordenadora Nacional de Cultivadores de Coca, Papoila e Marijuana (Coccam), tanto Jaime como um dos seus filhos, Reinel, tinham assumido um papel de destaque na comunidade em defesa da implementação dos acordos de paz firmados entre as FARC-EP e o governo colombiano.

Além disso, no âmbito do apoio aos projectos de substituição de cultivos de uso ilícito, ambos andavam a acompanhar, nos tempos mais recentes, «acções de resistência à erradicação forçada, levada a cabo pelo Exército colombiano no município», lê-se na nota, citada pela Contagio Radio.

480 vítimas mortais em três anos

De acordo com os dados divulgados em Maio deste ano pela Marcha Patriótica, pela Cimeira Agrária, Étnica e Popular e pelo Instituto de Estudos para o Desenvolvimento e a Paz (Indepaz), em 2016 – ano da assinatura dos acordos de paz – foram assassinados na Colômbia 116 «líderes sociais e defensores dos direitos humanos» e, em 2017, 191.

Com os 173 registados pela TeleSur em 2018, o número de dirigentes sociais assassinados no país sul-americano nos últimos três anos sobe para 480.

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