Os trabalhadores do grupo Hyundai Motors, reunidos em torno do seu sindicato, realizaram na sexta-feira passada o primeiro dia completo de greve numa década, depois das suas reivindicações não terem sido aceites pela administração, informa a Reuters.
Cerca de 40 mil trabalhadores participaram nesta acção de luta, que atingiu não só a empresa-mãe como a sua afiliada Kia Corp e fornecedores de ambas. Os sindicatos exigem que os trabalhadores destas possam ter negociações directas com o fabricante de automóveis.
Mais de 3 mil manifestantes concentraram-se em frente à sede do grupo Hyundai, em Seul, capital da Coreia do Sul, gritando palavras de ordem em defesa das sua reivindicações.
A decisão de partir para a greve foi tomada por esmagadora maioria (92%) dos trabalhadores do Sindicato dos Trabalhadores Metalúrgicos da Coreia (KMWU, de Korean Metal Workers’ Union), a 24 de Junho passado.
Numa primeira fase, a partir de Julho, os trabalhadores limitaram-se a greves parciais, as quais, mesmo assim, desregularam a produção de 55 200 veículos no valor de 1670 milhões de dólares, segundo a agência sul-coreana Yonhap. Ainda não há quantificação do impacto da greve de sexta-feira.
As reivindicações dos trabalhadores incidem sobre o aumento de salários e prémios, aumento da idade de reforma e protecção laboral contra a inteligência artificial na indústria.
O pedido de aumento da idade de reforma parecerá estranho a quem não conheça a legislação sul-coreana. Acontece que, nesse país, com uma taxa de envelhecimento populacional das mais altas do mundo, enquanto o limite de idade para trabalhar nas empresas é aos 60 anos, as pensões de reforma apenas são pagas a partir dos 65 anos, conduzindo os trabalhadores, durante esse intervalo, à pobreza e sujeitando-os a aceitar «biscates», a trabalhar sem protecção.
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