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População de Gaza enfrenta uma privação sem precedentes de serviços essenciais

Um relatório lançado por agências das Nações Unidas estima que 96% da população da Faixa de Gaza enfrente uma situação de pobreza multidimensional, com a privação de bens essenciais à subsistência.

Destruição provocada pelos bombardeamentos indiscriminados israelitas na Faixa de Gaza  
Destruição provocada pelos bombardeamentos indiscriminados israelitas na Faixa de Gaza  CréditosAbed Zagout / PNUD

Em declarações à imprensa, esta quinta-feira, Rola Dashti, secretária executiva da Comissão Económica e Social para a Ásia Ocidental da ONU (Cespao), alertou para o alastramento da pobreza multidimensional no enclave costeiro palestiniano.

«A pobreza multidimensional significa a privação de serviços essenciais à subsistência, incluindo saúde, serviços públicos, transportes e liberdade de circulação», disse Dashti no lançamento de um estudo sobre a situação de pobreza e destruição na Faixa de Gaza, e sobre os impactos desta situação no Estado da Palestina.

«Mesmo que haja um cessar-fogo hoje, a situação da pobreza multidimensional não melhorará rapidamente», alertou, citada pela Xinhua, tendo-se referido ao elevado grau de destruição no território, provocado pelos bombardeamentos israelitas, ao grande número de pessoas deslocadas e à incerteza no que respeita ao acesso a recursos, devido ao assédio e ao cerco sionista.

O documento, publicado em conjunto com o Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD), prevê que, com cerca de 1,5 milhões de pessoas deslocadas em Gaza desde 7 de Outubro e a destruição massiva de habitações, a recessão económica irá agravar ainda mais uma situação humanitária já catastrófica, tornando as perspectivas de recuperação desafiantes e lentas.

No documento, estima-se que 35 mil unidades habitacionais tenham sido totalmente arrasadas e que cerca de 212 mil tenham sido parcialmente danificadas até 3 de Novembro.

Cespao e PNUD afirmam ainda, que, ao cumprir-se um mês de conflito, a pobreza aumentou 20% e o PIB diminuiu 4,2%, tendo ainda sido destruídos 390 mil postos de trabalho – segundo dados da Organização Internacional do Trabalho (OIT).

«Espera-se uma forte queda do Índice de Desenvolvimento Humano (IDH), o que fará retroceder o Estado da Palestina entre 11 e 16 anos, dependendo da intensidade do conflito», refere o texto.

Importância de um cessar-fogo e da ajuda humanitária

Rola Dashti alertou que os efeitos negativos se estão a fazer sentir «em países vizinhos como o Líbano, Jordânia e Egipto, agravando os seus desafios socioeconómicos e fiscais».

A representante da Cespao chamou também a atenção para o elevado número de crianças mortas em Gaza pelos bombardeamentos israelitas no espaço de quatro semanas – mais de 4300 –, «ultrapassando o total de crianças perdidas em conflitos armados em 22 países em qualquer ano desde 2020».

Neste sentido, considerou que «um primeiro passo essencial» seria «um cessar-fogo e um fluxo apoiado de ajuda humanitária», porque «trariam alívio imediato e tangível ao sofrimento e reduziriam os níveis de privação de centenas de milhares de famílias palestinianas».

Por seu lado, Achim Steiner, do PNUD, considerou que «a perda de vidas humanas sem precedentes, o sofrimento humano e a destruição na Faixa de Gaza», provocadas por Israel, «são inaceitáveis». Por isso, defendeu como fundamental um cessar-fogo imediato.

«Este estudo adverte que as consequências desta guerra se farão sentir durante muito tempo e não ficarão limitadas a Gaza», disse, lembrando que, além da catástrofe humanitária provocada pelas forças sionistas, «existe uma crise de desenvolvimento».

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