As vaias já fazem parte do quotidiano do presidente do Brasil, depois do afastamento de Dilma Rousseff. O último episódio aconteceu na abertura dos Jogos Paralímpicos no Rio de Janeiro, esta quarta-feira, logo após ter sido anunciada a presença de Temer.
Recorde-se que também na cerimónia de abertura dos Jogos Olímpicos, a 5 de Agosto, Michel Temer foi alvo de vaias, recusando-se de seguida a participar no encerramento dos jogos.
«Fora, Temer», a frase sempre repetida nas milhares de manifestações que se têm realizado contra o presidente não eleito, foi gritada em coro a partir das bancadas do Estádio do Maracanã no momento em que Temer anunciava a abertura dos jogos, obrigando-o a interromper o discurso.
No Dia da Independência clamou-se por Democracia
A viagem de Temer para o Rio de Janeiro aconteceu horas depois de participar, em Brasília, no desfile militar do 7 de Setembro, Dia da Independência, onde era esperado por populares que o acusaram de «golpista», tendo repetido a ordem: «Fora, Temer». Nos arredores do Museu Nacional, na capital federal, milhares de manifestantes reuniram-se na 22.ª edição do Grito dos Excluídos, tendo-se associado ao protesto mais de 80 entidades.
A tradicional manifestação do 7 de Setembro, organizada pelo Fórum das Pastorais Sociais, centrais sindicais e entidades ligadas aos movimentos sociais, mobilizou milhares de pessoas em diversos pontos do país, nomeadamente Goiás, Minas Gerais, Belém do Pará, Recife, São Paulo e Rio de Janeiro. «Este sistema é insuportável: exclui, degrada e mata» foi o lema do protesto contra a desigualdade social e o golpe perpetrado contra Dilma Rousseff, e pela resistência à retirada de direitos sociais do novo governo.
Novas manifestações estão marcadas pelos movimentos Frente Brasil Popular e Frente Povo Sem Medo, em São Paulo, para hoje e no próximo domingo. «Fora, Temer!», «Directas Já!» e «Contra a repressão!» – em referência à violenta acção da Polícia Militar de São Paulo contra os manifestantes – integram o conjunto de palavras de ordem. Segundo o presidente da Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil (CTB), Adilson Araújo, «a pacificação nacional só será alcançada quando o povo reconquistar o sagrado direito de definir o destino do país através do voto».
Missão portuguesa com 37 atletas
Os Jogos Paralímpicos decorrem até dia 18 de Setembro. A competir estão 4350 atletas de 176 países, o maior número de participação da história da Paralimpíada. A missão portuguesa aos Paralímpicos é composta por 37 atletas distribuídos pelas seguintes modalidades: atletismo (17), boccia (10), ciclismo (2), equitação (1), judo (1), natação (5) e tiro (1).
A participação dos atletas portugueses nos Jogos Paralímpicos Rio 2016 pode ser acompanhada no site do Comité Paralímpico de Portugal e nas suas redes sociais (Facebook, Youtube, Instagram e Twitter).
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