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Organização para a Cooperação de Xangai «deve assumir responsabilidades históricas»

Ao discursar em Bisqueque, Xi Jinping destacou o papel central da Organização para a Cooperação de Xangai, num mundo em que se intensifica a confrontação, o unilateralismo e a ameaça da guerra.

Quirguistão cimeira Organização para a Cooperação de Xangai Bisqueque
Os chefes de Estado e de governo da OCX reuniram-se em Bisqueque a 1 de Setembro de 2026 Créditos / TeleSur

O presidente chinês, Xi Jinping, interveio esta terça-feira na 26.ª Reunião do Conselho de Chefes de Estado da Organização para a Cooperação de Xangai (OCX), cimeira realizada em Bisqueque, capital do Quirguistão, quando passam 25 anos sobre a fundação do organismo.

No seu discurso, o chefe de Estado destacou que a defesa da soberania, da segurança, dos interesses de desenvolvimento e das aspirações dos povos de vários países à paz e ao desenvolvimento estiveram na base da fundação da OCX, em 2001.

Xi Jinping sublinhou a «grande vitalidade e dinamismo» da organização, que fez «um percurso extraordinário», ao transformar-se gradualmente «num novo tipo de organização de cooperação regional», que abarca a maior extensão geográfica, representa a maior população e possui um enorme potencial de desenvolvimento, indica a Xinhua.

Xi referiu-se ao «Espírito de Xangai» – assente na confiança recíproca, no benefício mútuo, na equidade, nas consultas, no respeito pela diversidade de civilizações e na busca de desenvolvimento comum – e afirmou que a experiência mais importante da OCX em matéria de cooperação é o ter encontrado a forma acertada de coexistência, caracterizada pelo não alinhamento, a não confrontação e a não orientação contra terceiros.

Vinte e cinco anos depois, o organismo «deve assumir as suas responsabilidades históricas e tomar a iniciativa para definir o rumo para o futuro», defendeu Xi, ao abordar a actual encruzilhada, que diz respeito a toda a humanidade, marcada pela intensificação da confrontação, do unilateralismo e das ameaças da guerra.

Promover a cooperação e a segurança

Neste contexto, o presidente chinês instou a OCX a consolidar a cooperação, a dar prioridade ao desenvolvimento e a perspectivas de prosperidade partilhadas, e afirmou que, para a China, a organização é uma área prioritária para promover a construção conjunta de alta qualidade da iniciativa Cinturão e Rota.

Xi exortou ainda a OCX a manter o compromisso de considerar a segurança como um objectivo-chave e a criar um ambiente de segurança comum, e afirmou que a China está disposta a trabalhar com todas as partes na activação deste conceito, transformando a OCX numa plataforma de implementação da Iniciativa para a Segurança Global.

Promover a amizade e o diálogo

O chefe de Estado instou igualmente os países-membros da OCX a centrarem-se no povo, a consolidarem as bases de «uma amizade duradoura» e dinamizarem relações de boa vizinhança, tendo em conta a singularidade de cada país na sua história, cultura, sistema social e etapa de desenvolvimento, com a China disposta a trabalhar com todas as partes para levar por diante a Iniciativa para a Civilização Global.

Na mesma ocasião, o presidente chinês exortou os membros da OCX a promoverem o diálogo e as consultas, trabalhando no sentido de uma governação «mais justa e ordenada».

Neste contexto afirmou que a organização deve defender sempre o princípio de que todos os países são iguais, independentemente do seu tamanho, e que as questões regionais devem ser discutidas por todos de modo a ultrapassar as divergências e construir consensos, fazendo frente aos desafios comuns por via da coordenação multilateral.

Estados-membros confirmam avanços alcançados

Participaram na cimeira de Bisqueque chefes de Estado e de governo dos dez estados-membros do organismo – China, Rússia, Índia, Paquistão, Irão, Uzbequistão, Tajiquistão, Cazaquistão, Quirguistão e Bielorrússia –, bem como representantes dos 15 países que detêm o estatuto de parceiros de diálogo, como Turquia, Arábia Saudita, Emirados Árabes Unidos, Camboja, Sri Lanka, Egipto, Laos, Arménia ou Catar.

Segundo refere a Xinhua, os líderes dos países-membros confirmaram os avanços alcançados nos últimos 25 anos, tendo reconhecido a importância da OCX como garantia de segurança e de desenvolvimento regional, que ganhou dimensão mundial como esteio de estabilidade e de desenvolvimento comum.

Face a uma situação internacional volátil e complexa, defenderam a solidariedade e a cooperação, o reforço da influência da OCX, a promoção da construção de um sistema de governação mundial mais justo e equitativo, e a assunção de um papel mais importante na salvaguarda da paz, da estabilidade e da prosperidade.

Estes princípios estão contemplados na Declaração de Bisqueque, que os países-membros assinaram e emitiram no final da cimeira, na qual ficou plasmada também a decisão comum da OCX de trabalhar contra todas as formas de práticas hegemónicas e se condenou o recurso crescente a medidas coercivas unilaterais por parte de certos países, visando alcançar os seus objectivos à custa da economia mundial e do direito dos países ao desenvolvimento.

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