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Nova jornada de luta na Galiza contra os «despedimentos por adoecer»

A Confederação Intersindical Galega prossegue a luta contra a «perseguição» aos trabalhadores na empresa Extel, que são despedidos mesmo quando apresentam uma baixa médica. Em Espanha, a «moda» pegou.

Em Dezembro, 95% dos trabalhadores aderiram à greve na Extel, na Corunha, para denunciar os «despedimentos por adoecer»
Em Dezembro, 95% dos trabalhadores aderiram à greve na Extel, na Corunha, para denunciar os «despedimentos por adoecer» Créditos / cig.gal

A Confederação Intersindical Galega (CIG) anunciou esta sexta-feira uma nova jornada de greve na Extel Contact Center, com a duração de 24 horas, no próximo dia 5 de Fevereiro. Trata-se de uma «resposta ao ataque iniciado pela empresa contra o direito à saúde dos trabalhadores».

A estrutura sindical, que, no âmbito da jornada de greve, promove uma concentração ao meio-dia frente às instalações da Extel na Corunha, adverte que irá continuar a mobilizar-se até «que a empresa [de telemarketing] ceda ou haja uma sentença judicial», pois «não pode admitir» que os trabalhadores sejam despedidos «por estar doentes» e que «não sejam agora válidos, por uma decisão unilateral, os atestados médicos que serviram durante mais de 20 anos».

Uma greve anterior teve adesão quase total, o que, segundo a central sindical, mostra que os trabalhadores estão decididos «a continuar a lutar pela defesa dos direitos conquistados».

Para dia 6 de Fevereiro, está marcada uma reunião com os novos donos da Extel, a Analytics Business Solution (ABS), à qual a CIG vai exigir, entre outros pontos, a reintegração dos trabalhadores «despedidos injustamente por adoecer».

Estratégia para justificar despedimentos

A central sindical galega sublinha que, ao abrigo artigo 52.d do Estatuto dos Trabalhadores em Espanha, «a empresa pretende justificar despedimentos com base num suposto absentismo».

O «objectivo final da empresa não é outro senão o de aplicar um despedimento colectivo encoberto a baixo custo», aproveitando-se da reforma laboral do Partido Popular (PP espanhol), que «facilitou os despedimentos objectivos por baixas laborais de curta duração, mesmo estando devidamente justificadas, e, como tal, com uma indemnização mínima», denuncia a estrutura.

Neste sentido, a GIG exige a «revogação total e urgente das reformas laborais», de modo «a cortar pela raiz este tipo de abusos patronais e a poder avançar na melhoria» das condições laborais e salariais.

«Cascata de despedimentos por adoecer»

Numa peça publicada em meados de Dezembro de 2019, o jornal El País referia-se a uma «cascata de despedimentos por adoecer» em Espanha, com base no referido artigo 52.d do Estatuto dos Trabalhadores, que «considera objectivo e legal o despedimento por doença».

Com o aval do Tribunal Constitucional espanhol, os casos de despedimentos de trabalhadores que faltam ao trabalho por motivo de doença, mesmo que a situação esteja devidamente justificada, têm-se sucedido.

Mulheres, funcionários com idade mais avançada, trabalhadores precários, teleoperadores e delegados sindicais – ou seja, funcionários com um perfil mais «prescindível» ou «incómodo» do ponto de vista patronal – são, segundo a fonte, os alvos preferenciais, em vários pontos do Estado espanhol.

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