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MST publica carta em defesa da agricultura familiar e contra o latifúndio

Numa «Carta ao Povo Brasileiro», o MST faz uma leitura da situação política e apresenta várias propostas relacionadas com a reforma agrária e a agroecologia, que encaminhará ao governo de Lula da Silva.

CréditosRicardo Stuckert / Brasil de Fato

O Movimento dos Trabalhadores Rurais sem Terra (MST) publicou, esta terça-feira, uma carta aos brasileiros, na qual defende várias «propostas e ideias», sublinhando que irá contribuir «de todas as formas possíveis para que elas sejam aplicadas».

Louvando a vitória de Lula da Silva nas presidenciais como «fruto de uma ampla aliança social de todas as forças progressistas», o MST destaca o combate à fome e ao desemprego entre os desafios urgentes que o governo liderado pelo petista tem pela frente, e aponta a necessidade de «investimentos pesados em educação e saúde».

«O Brasil vive a pior crise de sua história, que se manifesta na economia, na sociedade, no aumento da desigualdade social, nos crimes ambientais, na fome, no desespero e falta de perspectiva que atinge mais de 70 milhões de trabalhadores», denunciam os sem-terra na carta.

«Tudo isso se aprofundou nos últimos seis anos, após o golpe contra o Governo Dilma e os quatro anos de um governo neoliberal com práticas fascistas e autoritárias», notam.

Defesa da agricultura familiar

No que respeita ao campo, o MST elogia o modelo da agricultura familiar, que «protege a natureza e se dedica a produzir alimentos para suas famílias e para o mercado interno».

Por contraste, critica duramente o «latifúndio predador, que enriquece com a especulação imobiliária e a apropriação das riquezas naturais», e o agronegócio, que «produz apenas commodities agrícolas para exportação».

«Os fazendeiros enriquecem, mas não pagam impostos à sociedade graças às isenções das exportações e agridem a natureza com o desmatamento, o uso de agrotóxicos e o monocultivo», denuncia o Movimento dos Trabalhadores Rurais sem Terra.

Relativamente às políticas agrícolas que devem ser implementadas pelo governo de Lula, o MST defende, entre outras, a distribuição de terras de latifúndios para pequenos produtores, principalmente nas proximidades das grandes cidades, bem como um programa urgente de máquinas agrícolas para esses produtores.

Combate à exploração, defesa de políticas públicas e educação, de agroecologia e desflorestação zero

Entre as propostas e ideias apresentadas no documento, contam-se o «desmatamento zero» e um Plano Nacional de Reflorestamento, e a aposta na agroecologia, como modelo tecnológico que busca produzir alimentos saudáveis respeitando a natureza.

A urgência de aplicação de diversas medidas públicas também é apontada, com vista à soberania alimentar, ao aumento dos rendimentos dos agricultores, das mulheres e jovens trabalhadores do campo.

«Devemos combater todas as forças de exploração no campo, como o trabalho escravo, e as péssimas condições dos assalariados sem direitos trabalhistas. Devemos combater o garimpo e ação perversa das mineradoras que depredam nosso meio ambiente e riqueza natural apenas em função do lucro privado. Os bens da natureza devem estar subordinados às necessidades de todo povo», sublinha o MST no texto.

A implementação de um amplo programa de educação e cultura, que permita erradicar o analfabetismo no meio rural e preservar as manifestações e expressões culturais do povo, é igualmente referida pelo MST, que se mostra disposto a combater todas as formas de discriminação, racismo e intolerância «alimentadas pelo bolsonarismo fascista».

Na conclusão do documento, os sem-terra consideram que a sua «missão maior é seguir organizando o povo, para que lute por seus direitos», «pois sabemos que sem mobilização popular não haverá nenhuma mudança verdadeira no país».

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