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Movimentos populares exigem lei da emergência alimentar na Argentina

Organizações sociais argentinas realizaram, esta quarta-feira, uma jornada de protesto para denunciar o aumento da má-nutrição infantil e exigir a implementação da lei de emergência alimentar. Tratou-se do pontapé de saída das mobilizações que se avizinham contra a Reforma Laboral.

Milhares de pessoas voltaram a exigir, esta quarta-feira, a implementação da lei de emergência alimentar na Argentina
Milhares de pessoas voltaram a exigir, esta quarta-feira, a implementação da lei de emergência alimentar na ArgentinaCréditos / ctepargentina.org

Cortes de estrada, concentrações e manifestações marcaram a jornada nacional de luta levada a cabo, esta quarta-feira, por organizações sociais como a Confederação dos Trabalhadores da Economia Popular (CTEP), a Corrente Classista e Combativa, a Bairros de Pé e a Frente Popular Darío Santillán.

Com o lema «Sem terra, tecto e trabalho, a reforma é contra os de baixo», a jornada teve como objectivos denunciar o aumento da má-nutrição infantil na Argentina, exigir novamente ao governo a proclamação imediata da Lei de Emergência Alimentar e repudiar as reformas tributária, laboral e das pensões que Macri está a promover.

«48% dos jovens em Buenos Aires têm problemas de má-nutrição»

«O elemento-chave da Lei da Emergência Alimentar tem a ver com a má-nutrição. De 20 mil jovens da província de Buenos Aires, 48% têm problemas de má-nutrição», disse à TeleSur o dirigente da Bairros de Pé, Daniel Menéndez. Acrescentou que o problema se agravou durante a governação de Mauricio Macri, desde o final de 2015.

De acordo com um estudo publicado no dia 13 pelo Instituto de Investigação Social, Económica e Política Cidadã, a má-nutrição afecta 48% das crianças e jovens (faixa etária 2-19 anos) na província de Buenos Aires.

O mesmo instituto revela, num estudo divulgado a 1 de Outubro, que 28,6% dos argentinos se encontra em situação de pobreza e 6,2% em situação de indigência. Metade dos argentinos pobres vive na região da Grande Buenos Aires, onde se concentra aproximadamente um quarto da população do país.

Três semanas de mobilização

A jornada nacional de luta que ontem teve lugar foi precedida por uma assembleia de movimentos populares argentinos, que decidiram avançar com um plano de mobilizações ao longo das próximas três semanas. Para dia 22 foi agendada uma jornada de luta do sector da agricultura familiar.

Belén Rozas, do CTEP, que ontem se manifestou em Buenos Aires, afirmou ao Resumen Latinoamericano: «Viemos para a rua, organizados, para dizer "não" às reformas que o governo tenta aplicar, ao mesmo tempo que sublinhamos as nossas próprias reivindicações, tendo em conta as necessidades urgentes que os sectores populares sofrem.»

As acções de protesto desta quarta-feira, protagonizadas pelos movimentos populares, são encaradas como um pontapé de saída das lutas que se avizinham – dinamizadas pelas organizações sindicais – contra as reformas já anunciadas pelo governo de Macri.

Reforma Laboral: ataque feroz contra direitos

Ontem, a Associação de Trabalhadores do Estado (ATE) anunciou uma paralisação nacional para 6 de Dezembro, com ampla adesão de outras organizações sindicais e de movimentos sociais. Os sindicatos denunciam que, com o projecto de reforma apresentado, Macri procura favorecer o patronato, diminuir salários, facilitar a precariedade e os despedimentos.

«Reforma Laboral é um aprofundamento da ofensiva do capital contra o trabalho»

Luis Campos, da Central de Trabalhadores da Argentina (CTA) Autónoma afirmou à TeleSur que a reforma «é muito mais que uma série de alterações às leis laborais. Estamos frente a uma verdadeira tentativa de fixar as bases para uma mudança de paradigma nas relações laborais, que, numa perspectiva mais ampla, constitui um aprofundamento da ofensiva ininterrupta do capital contra o trabalho iniciada no nosso país em meados dos anos 70».

Mariano Pasi, também delegado da CTA Autónoma, sublinhou que «as reformas promovidas pelo governo a nível tributário, das pensões e de precarização laboral constituem um ataque feroz contra o conjunto de direitos que o nosso povo conquistou ao cabo de décadas de lutas».

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