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Milhares manifestaram-se em Caracas em apoio a Maduro

Um mar de gente solidaridou-se, esta segunda-feira, com o presidente Nicolás Maduro, que foi alvo de um atentado no passado dia 4. As autoridades venezuelanas dirigem fortes acusações à Colômbia.

Um mar de gente mobilizou-se esta segunda-feira em Caracas para expressar apoio a Nicolás Maduro, depois de este ter sido alvo de um atentado no sábado passado
Um mar de gente mobilizou-se esta segunda-feira em Caracas para expressar apoio a Nicolás Maduro, depois de este ter sido alvo de um atentado no sábado passadoCréditos / Alba Ciudad

Milhares de pessoas responderam afirmativamente à convocatória do Partido Socialista Unido da Venezuela (PSUV), marchando pelas ruas de Caracas, «em defesa do presidente Nicolás Maduro», até chegar ao Palácio de Miraflores (sede da Presidência).

No sábado passado, durante a sessão comemorativa dos 81 anos da fundação da Guarda Nacional Bolivariana (GNB), dois drones de modelo DJI M600, carregados com explosivos C4, apareceram muito perto do estrado onde o chefe de Estado venezuelano discursava.

De acordo com uma nota do Ministério venezuelano dos Negócios Estrangeiros, os elementos da segurança presidencial conseguiram bloquear o sinal de um dos aparelhos, «fazendo com que explodisse longe do alvo programado», e conseguiram desviar o outro, fazendo com que perdesse o controlo e explodisse ao embater num edifício localizado nas imediações do evento.

Presentes na manifestação solidária, tanto Diosdado Cabello, presidente da Assembleia Nacional Constituinte, como Jorge Arreaza, ministro dos Negócios Estrangeiros, ligaram o atentado ao imperialismo norte-americano.

«Derrotámos os golpes, as sabotagens, as guarimbas. Derrotámos o terrorismo nas ruas com democracia e eleições; derrotámos a oligarquia uma e outra vez, e continuaremos a derrotá-la enquanto o povo cerrar fileiras com a Revolução Bolivariana e o presidente Nicolás Maduro», declarou o chefe da diplomacia venezuelana, citado pela HispanTV.

Identificados os autores materiais do atentado

Numa conferência de imprensa dada em Caracas esta segunda-feira, o procurador-geral da República, Tarek William Saab, afirmou que as investigações preliminares conduzidas pelo Ministério Público, em colaboração com outros órgãos, permitiram identificar «os autores materiais e colaboradores imediatos» da tentativa de assassinato do presidente da Venezuela, que provocou sete feridos.

As investigações permitiram determinar o local onde os indivíduos estavam alojados antes de perpetrar o atentado e «as primeiras ligações internacionais dos envolvidos», disse Saab, acrescentando que, nos momentos a seguir à tentativa de assassinato de Maduro, foi possível identificar o local a partir do qual eram dirigidos os drones com explosivos, «tendo sido presas em flagrante delito duas pessoas» que comandavam um dos aparelhos, informa a AVN.

Tarek Saab sublinhou que o atentado contra a Nicolás Maduro, longe de constituir um caso isolado, faz parte das acções violentas levadas a cabo pela direita e os seus aliados internacionais desde que Hugo Chávez chegou à presidência do país, em 1999.

Manifestação solidária com o presidente venezuelano após o atentado de que foi alvo Créditos

Extrema-direita apoiada pela Colômbia e Miami

Na nota dirigida à imprensa pelo Ministério venezuelano dos Negócios Estrangeiros, sublinha-se a participação nos factos de «grupos da extrema-direita», com o apoio económico e político «de poderesos factores que operam a partir da Colômbia e com ramificações em Miami» (EUA).

O Ministério lembra que a Colômbia é uma base de operações de «máfias do narcotráfico» e «do contrabando» que agridem a Venezuela, e que o país andino «aloja grupos de foragidos à Justiça venezuelana, que são protegidos, financiados e legitimados pelo governo do senhor Santos».

O executivo de Caracas lembra ainda as declarações recentes de Santos – que hoje é substituído no cargo por Iván Duque – de acordo com as quais dizia «ver próxima a queda de Maduro»: «Estamos nas horas finais de Maduro», acusa a nota.

Ontem, o presidente Nicolás Maduro disse que o envolvimento da Colômbia no atentado é clara, que «existem provas suficientes» disso e que os terroristas que participaram na tentativa de assassinato contra si treinaram no departamento colombiano de Norte de Santander, com pessoal colombiano.

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