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|Saara Ocidental

Jornalistas e cineastas saarauís denunciam «instrumentalização cultural» em Dakhla

Jornalistas e cineastas dos territórios ocupados do Saara Ocidental denunciaram que Marrocos utiliza eventos culturais na cidade de Dakhla como forma de projectar «uma falsa imagem de normalidade».

Bandeira do Saara Ocidental  Créditos / CPPC

Numa declaração vinda a público na semana passada, os promotores, que trabalham nas zonas ocupadas do Saara Ocidental, manifestam o seu «mais firme repúdio» pela participação de cineastas e guionistas internacionais em eventos organizados pelas autoridades de ocupação marroquina na turística e ocupada cidade de Dakhla.

O colectivo saarauí defende que os festivais organizados nessa cidade costeira estão a ser utilizados pelo regime ocupante para «projectar uma falsa imagem de normalidade num território onde persistem graves e sistemáticas violações dos direitos humanos».

«Enquanto os convidados internacionais são recebidos com passadeiras vermelhas e cerimónias oficiais, os profissionais da informação e do cinema saarauís enfrentam diariamente vigilância extrema, assédio, censura e severas restrições», lê-se no texto, divulgado pela agência Sahara Press Service e outras fontes.

Cineastas e jornalistas saarauís sublinham que «não pode existir um diálogo cultural autêntico ou ético» onde a liberdade de expressão «é negada sistematicamente à população indígena saarauí».

Nesse sentido, exortam realizadores, guionistas e membros de júris internacionais a «não serem cúmplices do branqueamento de imagem da ocupação», e a ouvirem as vozes dos que «pagam um preço elevado por documentar a realidade».

Profissionais saarauís da comunicação social sofrem graves consequências

O texto saúda ainda a decisão do realizador espanhol Manuel Peña de «cancelar a sua participação no dito evento», revelando que o «seu posicionamento ético» se seguiu a uma «comunicação directa e graças à intensa campanha de sensibilização e pressão» levada a cabo pelo FiSahara – Festival Internacional de Cinema do Saara, que tem lugar nos campos de refugiados saarauís.

A atitude de Peña constitui «um exemplo de coerência, dignidade e compromisso com a justiça e os direitos humanos», defende o colectivo saarauí, sublinhando que, «por trás da propaganda oficial» que é promovida neste tipo de certames, «se esconde um panorama marcado pela repressão, a intimidação e o silenciamento do jornalismo e do activismp independentes».

O texto recorda que muitos activistas e profissionais da comunicação social saarauís «sofreram consequências devastadoras pelo seu trabalho pacífico», desde pesadas penas de prisão até à tortura, enquanto outros foram despedidos ou se mantêm sob «constante e asfixiante perseguição judicial e policial».

Organizações sociais e governo saarauís têm denunciado de forma reiterada a realização de filmes, festivais ou eventos desportivos nos territórios sob ocupação marroquina, nomeadamente em Dakhla, considerando que são usados como forma de distorcer e falsificar a realidade no terreno, e que servem precisamente para branquear essa ocupação.

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