A paralisação de dezenas de milhares de trabalhadores, convocada pelas estruturas sindicais Fórsa, INMO e SIPTU, começou ao primeiro minuto do dia 14 de Outubro, nas instalações das autoridades locais, e estendeu-se ao longo da madrugada a hospitais, serviços de emergência, universidades, bombeiros e agências estatais em todo o território irlandês.
Em causa está a contestação à proposta orçamental do governo, que destinou 1,2 mil milhões de euros para as reivindicações salariais da Administração Pública, o que na prática representa um aumento salarial real de apenas cerca de 2,5% para 2027, uma vez descontados os custos com pensões e compromissos anteriores.
Com a taxa de inflação anual nos 4,1%, o SIPTU, que representa mais de 180 mil trabalhadores dos sectores público e privado na Irlanda, sublinha que a proposta governamental fica manifestamente aquém das necessidades da classe trabalhadora, não oferecendo qualquer base credível para negociações que visem proteger o nível de vida da população.
Uma luta comum contra o custo de vida
«A contenção dos salários no sector público serve de referência para que os empregadores reprimam os vencimentos noutros sectores, ao mesmo tempo que nada se faz para resolver uma crise do custo de vida alimentada pela especulação imobiliária, custos de energia e despesas domésticas», denunciou Adrian Kane, secretário-geral adjunto do SIPTU, às primeiras horas desta quarta-feira.
O sindicato afirmou que esta greve de 24 horas foi também uma greve solidária com todos os trabalhadores que enfrentam a degradação das suas condições de vida e contra um governo desligado da realidade social. O sindicato garantiu ainda que os serviços de emergência e de salvaguarda da vida humana asseguraram os mínimos acordados localmente.
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