Como o dia de greve na hotelaria coincide com o do eclipse solar, a Confederação Intersindical Galega (CIG), CCOO e UGT referem-se ao congelamento dos salários desde Janeiro de 2025 como quase 600 dias de «eclipse salarial».
Do mesmo modo, apontam que o acordo colectivo na Corunha «eclipsou» há mais de ano e meio, em 2024, e que as associações patronais só querem «eclipsar» direitos num sector que abrange não apenas hotéis, mas também restaurantes, bares e parques de campismo.
A convocação da greve ocorre depois de meses de negociações infrutíferas, frisaram as estruturas sindicais, explicando que, neste período, as quatro associações patronais do sector na província da Corunha «não só ignoraram as reivindicações sociais», como pretendem «eliminar direitos já reconhecidos, ao mesmo tempo que se queixam das baixas, do aumento de custos e da falta de mão-de-obra».
Numa conferência de imprensa que a CIG menciona no seu portal, os sindicatos afirmaram que esta é uma primeira jornada de luta, alertando que, caso não haja mudanças na posição patronal e avanços nas negociações, os protestos vão aumentar.
Como exemplo da «precariedade salarial» sofrida pelos trabalhadores do sector, os representantes sindicais salientaram que um empregado de mesa num restaurante de gama alta «ganha 1300 euros brutos por mês, cerca de 1080 euros líquidos, trabalhando aos sábados, domingos, à noite, etc.». «Isto é um abuso que não pode ser tolerado», disseram.
Firme denúncia da atitude patronal
Os sindicatos alertaram para diversas situações que os trabalhadores do sector vivem, como jornadas de trabalho extenuantes e horas extraordinárias não remuneradas, além de inúmeros problemas de saúde devido a distúrbios musculoesqueléticos.
Neste contexto, criticaram a atitude de bloqueio por parte do patronato, que ainda propôs acabar com o complemento que hoje recebem os trabalhadores em situação de baixa médica.
Marcos del Río, em representação da CIG, criticou a «falta de rigor e de seriedade» do patronato nas negociações, tendo qualificado como «farsa» o facto de, na última reunião, ter aparecido com uma proposta de aumento salarial de 0% para os anos de 2025 e 2026.
«Não nos deixam outra alternativa senão a mobilização e a greve para conseguirmos, com a força de todos os trabalhadores, um acordo decente num sector extremamente precário», declarou.
De acordo com o representante sindical, o convénio abrange cerca de 28 mil pessoas em toda a província do Norte da Galiza, com salários no limiar do salário mínimo.
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