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|Honduras

«EUA instrumentalizam o narcotráfico para desestabilizar as Honduras»

Para Gilberto Ríos, da Frente Nacional de Resistência Popular e do partido Libre, as manipulações mediáticas fazem parte de uma estratégia mais ampla dos EUA para desacreditar o executivo de Xiomara Castro.

Xiomara Castro Créditos / TeleSur

Em declarações à TeleSur, Gilberto Ríos denunciou o recurso à «narrativa do narcotráfico», por parte dos Estados Unidos, para desestabilizar o governo liderado pela presidente Xiomara Castro e minar «o processo de refundação nas Honduras».

Ríos defendeu que, longe de ser um acaso, esta estratégia responde a um padrão histórico de intervenções na região, onde figuras-chave como a embaixadora norte-americana Laura Dogu haviam desempenhado um papel central.

«Estão a utilizar essa narrativa do narcotráfico para incriminar dirigentes políticos», afirmou Ríos, acrescentando que essa narrativa «tem mais força» hoje, tendo por base um vídeo realizado em 2013, no qual aparecia Carlos Zelaya, irmão do ex-presidente Manuel Zelaya e cunhado da actual presidente hondurenha, que está a ser utilizado para «manchar a imagem do governo e do partido Libre».

Na sequência da divulgação desse material, Carlos Zelaya, deputado no Congresso hondurenho, renunciou ao seu cargo, para facilitar as investigações em curso. Também o seu filho, Juan Manuel Zelaya, se demitiu do cargo de ministro da Defesa.

Entretanto, Ruiz referiu que esse vídeo tem estado sempre em poder da agência antidrogas dos EUA (DEA, na sigla em inglês), que se trata de «um material antigo e retirado do contexto», mas que está a ser divulgado em coordenação com as forças de direita para minar o actual governo.

Para o destacado dirigente da Frente Nacional de Resistência Popular e do partido Liberdade e Refundação (Libre), este tipo de manipulações mediáticas faz parte de uma estratégia mais ampla dos EUA para desacreditar o executivo de Xiomara Castro e dificultar o processo de transformações no país centro-americano.

«Essa táctica não é nova na região» referiu, recordando que Dogu desempenhou um papel semelhante na Nicarágua em 2018, onde, disse, «orquestrou o plano contra o presidente Daniel Ortega».

«Hoje, Laura Dogu é embaixadora nas Honduras [e] desde o início tem-se dedicado à crítica das medidas» do governo de Xiomara Castro, comentou Ríos, aludindo ao processo em curso que busca transformar a estrutura neoliberal herdada dos governos anteriores.

Gilberto Ríos disse ainda que a «direita tem pouca capacidade aqui», dando a entender que a oposição no país carece de um projecto próprio e depende da ingerência externa.

Xiomara Castro reafirma denúncia de golpe de Estado nas Honduras

Numa alocução transmitida pela rádio e pela TV nacional na terça-feira à noite, a presidente hondurenha denunciou que «as forças obscuras internas e externas de 2009, com a cumplicidade dos media corporativos nacionais e internacionais, se estão a reorganizar nas Honduras para dar um novo golpe de Estado».

Em relação ao vídeo em que aparece o ex-deputado Carlos Zelaya, em companhia de um conjunto de pessoas processadas por narcotráfico, Xiomara Castro sublinhou a condenação de «qualquer tipo de negociação entre narcotraficantes e políticos».

O ministro hondurenho da Segurança, Gustavo Sánchez, e a nova titular da pasta da Defesa, Rixi Moncada, que acompanharam a presidente, elencaram todos os casos de narcotráfico que estão em processo de investigação em tribunais norte-americanos.

Neste contexto, a chefe de Estado pediu ao Ministério Público hondurenho que tome medidas drásticas relativamente a todos esses casos, independentemente da cor política, e pediu ao Congresso do país que reforme as normas legais, com o intuito de que as forças de segurança do Estado, actualmente com poder de intervenção limitado, possam combater o crime organizado.

Já á ministra da Defesa, decretou-lhe que coloque à disposição das Forças Armadas todos os instrumentos e tecnologias de que necessitam «para impedir que as Honduras continuem a ser utilizadas como ponte para o tráfico da droga que se consomem às toneladas nos países de destino».

A primeira mulher presidente das Honduras, indica a Prensa Latina, alertou que a paz e a segurança internas estão em risco e que o plano para destruir o seu governo e o próximo processo eleitoral está em marcha.

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