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Embaixador alemão na Venezuela recebe ordem de expulsão

Daniel Kriener foi declarado persona non grata pela ingerência recorrente nos assuntos internos do país caribenho. A UE espera que a Venezuela reconsidere. Arreaza espera que a UE recupere o equilíbrio.

O embaixador alemão em Caracas, Daniel Kriener, à chegada de Guaidó ao Aeroporto Internacional de Maiquetía, no dia 4 de Março
O embaixador alemão em Caracas, Daniel Kriener, à chegada de Guaidó ao Aeroporto Internacional de Maiquetía, no dia 4 de Março Créditos / Sputnik News

A Venezuela declarou persona non grata o embaixador da Alemanha, Daniel Kriener, em virtude das «suas acções recorrentes de ingerência nos assuntos internos do país, numa clara violação das normas que regem as relações diplomáticas».

A informação foi divulgada esta quarta-feira num comunicado do Ministério venezuelano dos Negócios Estrangeiros, no qual se dá um prazo de 48 horas ao diplomata alemão para abandonar o país caribenho.

Kriener foi um dos embaixadores, encarregados de negócios e outros diplomatas que, na passada segunda-feira, estiveram no Aeroporto Internacional Simón Bolívar, no estado de Vargas, para receber o presidente da Assembleia Nacional – em situação de desobediência jurídica perante o Supremo Tribunal de Justiça – e autoproclamado «presidente interino», Juan Guaidó.

Na recepção ao golpista, que regressou ao país depois da tentativa falhada e violenta de fazer entrar «ajuda humanitária» à força na Venezuela, através da fronteira com a Colômbia, no passado dia 23 de Fevereiro, fez-se também representar o embaixador de Portugal na Venezuela, Carlos de Sousa Amaro, a quem Guaidó agradeceu a presença, segundo revelou o Diário de Notícias.

Na ocasião, Kriener disse, perante as câmaras de TV, que estava no aeroporto para «ajudar» a encontrar «uma saída pacífica negociada» e para garantir que o autoproclamado «presidente interino» chegava ao seu país «são e salvo», reporta a RT.

«Estamos aqui para ver a situação. Reconhecemos Juan Guaidó e esperamos que possa entrar com segurança», acrescentou o diplomata germânico, ainda citado pela RT.

No comunicado ontem emitido pelo Ministério dos Negócios Estrangeiros, afirma-se que a «Venezuela considera inaceitável que um representante diplomático estrangeiro exerça no seu território um papel público mais adequado a um líder político em clara sintonia com a agenda conspirativa de sectores extremistas da oposição venezuelana».

UE lamenta e Arreaza dá troco

Já esta quinta-feira, a União Europeia (UE) lamentou a decisão do governo de Nicolás Maduro de expulsar o embaixador alemão do país e disse esperar que Caracas «reconsidere» essa atitude.

«Lamentamos que o embaixador alemão na Venezuela tenha sido forçado a deixar o país num contexto político tenso e complexo», disse Maja Kocijancic, porta-voz da diplomacia europeia, em conferência de imprensa referida pelo portal globo.com.

Recorrendo à sua conta de Twitter, o ministro venezuelano dos Negócios Estrangeiros, Jorge Arreaza, disse esperar que a UE recupere o «equilíbrio» e reconsidere as suas atitudes face ao país sul-americano.

«A Venezuela espera que a União Europeia recupere o EQUILÍBRIO e RECONSIDERE as suas posições de permanente interferência nos nossos assuntos internos, o seu claro alinhamento com a estratégia de agressão de Washington e o seu apoio aos actos inconstitucionais da oposição extremista», escreveu.

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