Iván Cepeda, candidato à presidência da Colômbia pelo Pacto Histórico, alertou esta quarta-feira que o apoio do presidente dos EUA, Donald Trump, ao candidato presidencial de extrema-direita, Abelardo De la Espriella, é «intervencionista».
«O apoio declarado e, diria, com um tom intervencionista que o presidente Donald Trump faz à candidatura de Abelardo De la Espriella (…) é um sério risco à soberania e integridade do povo e da nação colombiana», disse Cepeda em Bogotá.
Cepeda criticou o posicionamento político do candidato presidencial que disputará com ele a volta das eleições, que, antes das declarações de Trump, havia solicitado uma intervenção nas eleições.
Trump tornou público na segunda-feira o seu apoio a De la Espriella, referindo-se a ele como um líder «inteligente, forte e determinado» que luta pelo seu país, e garantiu que, caso se torne presidente, promoverá o crescimento económico, a criação de empregos, o comércio, a luta contra o crime e o tráfico de drogas, além da restauração da «lei e ordem», indica a TeleSur.
Iván Cepeda garantiu que a proposta da sua equipa é o respeito pela vida, reafirmando, ao mesmo tempo, que Abelardo De la Espriella «representa um sério risco para a democracia».
«Qualquer presidente do planeta e do nosso hemisfério pode ter predilecções por esta ou aquela opção política que está a ser debatida na Colômbia; o que não pode acontecer é que acções de natureza apátrida sejam levadas a cabo pelo Sr. De la Espriella, para que seja a intervenção de presidentes e governos estrangeiros a definir a nossa disputa eleitoral», disse.
De la Espriella agradeceu a Trump pela sua mensagem, afirmando que «os Estados Unidos e a Colômbia são nações irmãs, unidas pelo sangue de heróis e pelo destino comum de defender a civilização ocidental nas terras das Américas. Juntos somos indestrutíveis».
Cepeda argumentou que De la Espriella é um aliado do paramilitarismo na Colômbia.
«Candidato pré-fabricado»
Por seu lado, Ana Erazo, representante do Pacto Histórico na Câmara eleita pela circunscrição de Valle del Cauca, afirmou: «Quem poderia imaginar que o presidente dos Estados Unidos que mais atacou latinos, que transformou o ICE num símbolo de perseguição e assédio contra comunidades migrantes, que chantageou governos pelo mundo fora e que assumiu o papel de mauzão do bairro através da imposição de tarifas e pressões económicas, acabaria por ser hoje o aliado político de um cidadão norte-americano que aspira à Presidência da Colômbia?»
«É evidente que este senhor, acompanhado pelos seus assessores estrangeiros e por uma estratégia cuidadosamente elaborada, é um produto pré-fabricado, artificial, falso, plástico e, construído para o marketing político, não para responder às reais necessidades do país», afirmou.
Erazo disse que «por trás dessa imagem embalada há uma visão de um país que, longe de reforçar a nossa soberania, está mais interessado em pôr a Colômbia ao serviço de interesses estranhos aos da maioria dos colombianos». Sublinhou ainda que a Colômbia merece uma liderança autêntica, com os seus próprios critérios e «que defenda a nossa soberania e os nossos interesses».
De la Espriella afirmou ser «essencial entender que os Estados Unidos da América são decisivos no combate ao crime, ao narcoterrorismo e na capacidade de libertar a Colômbia, de uma vez por todas, de tanta dor e tanta violência».
Cidadão norte-americano com ligações ao Partido Republicano
De la Espriella tornou-se cidadão norte-americano em Fevereiro de 2023, depois de ter vivido e nos EUA vários anos. E financiou campanhas do Partido Republicano, refere a fonte.
De acordo com a plataforma colombiana La Silla Vacía, dos 95 mil dólares que o candidato entregou desde 2018 a campanhas do partido de Donald Trump, 92 mil foram directamente para a republicana María Elvira Salazar.
Apesar das relações cordiais com o actual presidente colombiano, Gustavo Petro, em Outubro do ano passado, os Estados Unidos incluíram-no na chamada «Lista Clinton», impondo-lhe sanções financeiras por alegadas ligações ao tráfico de drogas – algo que Petro desmentiu de forma enfática, tendo ainda acusado os EUA de realizarem «execuções extrajudiciais», em virtude dos ataques lançados contra embarcações no Mar das Caraíbas e no Pacífico.
Donald Trump – lembra a fonte – apoiou diversos presidentes de direita e extrema-direita na América Latina, nomeadamente Javier Milei (Argentina), Nasry Afura (Honduras) e Daniel Noboa (Equador).
A primeira volta das eleições presidenciais na Colômbia teve lugar a 31 de Maio, com De la Espriella a obter 10 361 499 votos (43,74%) e o candidato do Pacto Histórico, Iván Cepeda, a alcançar 9 688 361 votos (40,90%) – o maior número alcançado pela esquerda numa primeira volta eleitoral no país sul-americano.
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