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Bloqueio dos EUA custa mais de 30 mil milhões de dólares à Venezuela

O cerco económico dos EUA provocou perdas à Venezuela superiores a 30 mil milhões de dólares, referiu o ministro venezuelano dos Negócios Estrangeiros, que negou a existência de uma crise humanitária.

Mobilização contra a ingerência norte-americana na Venezuela (foto de arquivo)
Mobilização contra a ingerência norte-americana na Venezuela (foto de arquivo)Créditos / aporrea.org

Numa entrevista concedida à cadeia iraniana HispanTV, Jorge Arreaza explicou que o bloqueio, somado ao ataque às finanças nacionais, agrava a situação económica do país, que é apresentada [«vendida»] como uma crise humanitária.

O diplomata afirmou que a economia está «perturbada, bloqueada pelos EUA e pelo sistema financeiro, que se recusa a interagir com a Venezuela, [...] pela banca internacional, que se nega a trabalhar com a Venezuela».

As sanções e outras medidas coercivas atingiram vários sectores, tendo custado ao país caribenho pelo menos 30 mil milhões de dólares, disse, referindo que a Venezuela poderia estar agora a viver o seu melhor momento económico.

Desmentiu, no entanto, a existência de uma crise humanitária no país sul-americano e criticou a suposta «ajuda humanitária» como um «absurdo» e um «show» por parte dos Estados Unidos.

A este propósito lembrou que, nos anos 60, Washington anunciou a existência de uma crise humanitária na República Dominicana, tendo aproveitado o ensejo para enviar 8000 soldados e derrubar o presidente democraticamente eleito Juan Bosch.

Arreaza também considerou um «absurdo» que os EUA estejam tão interessados em enviar agora «ajuda humanitária» para a Venezuela, quando não o fizeram com Porto Rico após a passagem dos furacões e tendo em conta que suspenderam o envio de fundos para a Palestina através da Agência das Nações Unidas de Assistência aos Refugiados Palestinianos no Próximo Oriente (UNRWA, na sigla em inglês).

Situação de calma e paz

O diplomata venezuelano refutou as tentativas de desestabilização da Venezuela promovidas por alguns países e órgãos de comunicação – que procuram gerar a «falsa percepção» de que o país está em guerra –, tendo destacado a situação de «calma e paz» que prevalece no país, muito diferente daquilo que ocorreu em 2014 e 2017, em que se registaram episódios violentos e a destruição de propriedade pública e privada por parte da extrema-direita golpista.

«Existe um golpe de Estado, liderado por agentes não nacionais, pelos EUA, por Washington», afirmou, tendo acusado em seguida a administração de Donald Trump de estar a aliciar os militares venezuelanos para se sublevarem contra o governo de Nicolás Maduro e contra a Constituição.

Sobre a autoproclamação do líder da Assembleia Nacional venezuelana, Juan Guaidó, como «presidente interino» da Venezuela, Jorge Arreaza considerou lamentável que vários países, entre eles alguns da União Europeia, tenham seguido os passos dos EUA no que ao reconhecimento de Guaidó se refere, sendo que tal acto carece de legalidade e de qualquer tipo de fundamento na Constituição venezuelana.

Aposta no diálogo

O ministro dos Negócios Estrangeiros da Venezuela disse que o governo de Nicolás Maduro está ciente das ameaças de Trump e de que o objectivo é «chegar às riquezas com que a Venezuela conta». Neste contexto, sublinhou que o país está preparado «para qualquer cenário» e que o executivo deposita total confiança na unidade do povo com as Forças Armadas, mas deixando claro que «a última coisa que quer é a guerra».

A aposta de Caracas é no diálogo, disse, lembrando que o governo instou a oposição, em múltiplas instâncias, a dialogar e reiterando que o executivo continua disposto a conversar, sem quaisquer pré-condições, mas sempre no quadro da Constituição do país.

A este propósito, lamentou a falta de predisposição da oposição para o diálogo e a sua sujeição às maquinações de Washington. Há um ano, a oposição esteve a pontos de assinar um «acordo de convivência» com o governo, na sequência de uma ronda de negociações na República Dominicana. Mas, por pressão dos EUA, a direita golpista não chegou a assinar o pacto, apoiado por todas as partes, recordou Arreaza.

«Nesse momento, foi accionado este plano de não reconhecimento das eleições [presidenciais], não reconhecimento da Constituição, não reconhecimento do presidente Maduro», frisou.

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