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Austrália não vê ameaças à grande barreira de coral

Contra todas as evidências, o governo australiano continua a negar o estado crítico em que se encontra o maior sistema de corais do mundo, exigindo que tal não seja reconhecido pela UNESCO.

A grande barreia de coral em Lizard Island, na Austrália
A grande barreia de coral em Lizard Island, na AustráliaCréditosThe Ocean Agency / Associated Press

O governo australiano, liderado pelo liberal Scott Morrison em coligação com os conservadores, acusou o governo chinês de motivações políticas, após a UNESCO ter manifestado a intenção de declarar em risco a Grande Barreira de Coral. Tian Xuejun, vice-ministro da Educação da China e actual presidente do comité da UNESCO para o património mundial, rejeitou as acusações como «sem fundamento».

As relações entre os dois estados têm-se vindo a deteriorar desde o momento em que a Austrália exigiu publicamente um inquérito sobre as origens do vírus em Wuhan, fazendo eco às insinuações do então presidente dos EUA, Donald Trump.

O fundamento para esta acusação vem de um relatório produzido pelo Instituto Australiano da Ciência Marítima, que conclui que no último ano houve um aumento significativo do coral, que beneficiou de um aumento da temperatura e dos níveis da água.

A posição do governo australiano ignora propositadamente as conclusões do relatório, que estão na base da proposta do comité da UNESCO. O crescimento foi sobretudo de uma espécie de rápido desenvolvimento mas também muito frágil, mais susceptível à destruição por ciclones e ondas de calor, cada vez mais frequentes na zona.

De acordo declarações de Tian Xuejun à Associated Press, foi esse mesmo relatório que a UNESCO usou para a sua proposta e «a Austrália, como estado membro do Comité do Património Mundial, devia conferir importância às opiniões dos orgãos consultivos e dedicar-se seriamente ao cumprimento da missão de protecção do património do mundo, em vez de fazer acusações sem fundamento contra outros estados». 

A ministra do Ambiente, Sussan Ley, tem sido a face mais visível do lobby australiano para evitar esforços na protecção deste importante ecosistema. Só na última semana viajou à Europa, onde reuniu com vários homólogos e outros membros do comité da UNESCO, ao mesmo tempo que outros representantes do governo australiano organizavam uma visita ao coral com 14 embaixadores.

Esta posição é, por enquanto, minoritária, recolhendo apenas o apoio de países como o Bahrain e a Arábia Saudita, tendo as mais importantes associações pela defesa do ambiente na Austrália assinado uma carta conjunta ao comité da UNESCO para que este prosseguisse os seus esforços de protecção da Grande Barreira de Coral.

Já o director executivo do Instituto Australiano da Ciência Marítima, cujo relatório é a única evidência que sustenta a posição do goveno, relembrou que este documento apenas avalia a quantidade de coral existente e não as condições em que se encontra, sendo evidente que a siuação do coral, em consequência das alterações climáticas, é bastante precária.

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