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Alertas para um «banho de sangue» em Rafah

Com as forças israelitas a atacarem Rafah e notícias de uma invasão terrestre iminente, sucedem-se os alertas para o «massacre» que significaria uma acção militar num território com 1,3 milhões de pessoas.

Crianças palestinianas num abrigo em Rafah, no Sul da Faixa de Gaza, a 8 de Fevereiro de 2024 
Crianças palestinianas num abrigo em Rafah, no Sul da Faixa de Gaza, a 8 de Fevereiro de 2024 Créditos / PressTV

As declarações proferidas ontem e hoje seguem-se às que foram tendo lugar ao longo desta semana, por parte de responsáveis de agências da ONU ou do Conselho Norueguês dos Refugiados, sobre o impacto tremendo de uma ofensiva contra Rafah, a província mais a sul da Faixa de Gaza, onde se encontram refugiadas mais de 1,3 milhões de pessoas deslocadas à força pelos bombardeamentos israelitas.

Em declarações à Al Jazeera, o presidente do Município de Rafah, Ahmed al-Sufi, disse que «qualquer acção militar na cidade apinhada com mais de 1,4 milhões de palestinianos levará a um massacre ou um banho de sangue».

«Apelamos à comunidade internacional e a toda a consciência viva para deter o genocídio do povo palestiniano», declarou al-Sufi, lembrando que as pessoas ali estão a passar fome e que a ajuda que entra pela passagem fronteiriça chega apenas para 10% da população que se encontra na cidade.

Por seu lado, a Presidência da Autoridade Palestiniana condenou os planos israelitas de alargar a ofensiva para o extremo sul do enclave, onde a maior parte da população de Gaza procurou refúgio dos bombardeamentos.

Em comunicado, a Presidência repudiou as declarações do primeiro-ministro israelita, Netanyahu, que pediu ao Exército que preparasse um plano de invasão de Rafah e de evacuação dos civis.

«A evacuação de cidadãos palestinianos constitui uma ameaça real e um prelúdio perigoso da implementação da política israelita visando expulsar o nosso povo das suas terras», alerta o texto, no qual se pede ao Conselho de Segurança da ONU que assuma as suas responsabilidades, na medida em que «outra catástrofe conduzirá toda a região a guerras intermináveis».

Também o Fundo das Nações Unidas para Infância (Unicef) alertou para as consequências de uma ofensiva terrestre israelita na cidade de Rafah, sublinhando que marcaria «uma nova viragem devastadora» numa agressão que já provocou cerca de 28 mil mortos – 13 mil dos quais menores – e cerca de 68 mil feridos.

Num comunicado emitido esta sexta-feira, a Unicef lembrou que, entre a população refugiada no território densamente povoado do Sul da Faixa de Gaza, se encontram cerca de 600 mil crianças.

Muitas fugiram para Rafah devido às ofensivas israelitas mais a norte. Se os hospitais que ainda funcionam, os abrigos, os mercados e sistemas de abastecimento de água forem destruídos, a fome e a doença «vão disparar», alertou a agência das Nações Unidas, citada pela Wafa.

Neste contexto, apelou a um cessar-fogo, que salve vidas, permita um acesso humanitário não limitado e garanta as necessidades dos civis, ao abrigo do direito internacional humanitário.

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