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Usa e deita fora. Accenture suspende 100 trabalhadores com doenças profissionais

Cerca de uma centena de trabalhadores da Accenture que desenvolveram doenças profissionais vão ter os seus contratos suspensos no final de Setembro, perdendo todo o direito à sua remuneração, denuncia o CESP/CGTP-IN.

Serão cerca de uma centena os trabalhadores dos pólos da Accenture em Algés e Miraflores abrangidos pela onda de suspensões levada a cabo pela empresa, com efeitos a 30 de Setembro de 2026. Segundo o Sindicato dos Trabalhadores do Comércio, Escritórios e Serviços de Portugal (CESP/CGTP-IN), em nota enviada ao AbrilAbril, a Accenture está a socorrer-se do Artigo 296.º do Código de Trabalho para descartar os profissionais que desenvolveram doenças profissionais no cumprimento das suas funções (ou, em alguns casos, .

O artigo determina a suspensão dos contratos por «impedimento temporário por facto respeitante ao trabalhador que não lhe seja imputável e se prolongue por mais de um mês, nomeadamente doença, acidente ou facto decorrente da aplicação da lei do serviço militar». No entanto, estes trabalhadores «foram considerados pela Medicina do Trabalho “Aptos Condicionais” e mantêm-se disponíveis para trabalhar dentro das limitações médicas definidas», não têm um impedimento total que justifique a suspensão do seu contrato, considera o sindicato.

O CESP não aceita que às avaliações realizadas por profissionais de saúde se sobreponham as vontades e desejos da Accenture, ultrapassando os médicos para impor a sua própria avaliação e solução: suspender «sem remuneração». É também inaceitável, afirma o sindicato, que se retirem aos trabalhadores «os acessos às plataformas internas, aos Recursos Humanos e à documentação laboral, enquanto contestam a decisão e continuam disponíveis para trabalhar».

Exigindo que a Accenture esclareça, de forma concreta, «quais as adaptações e funções alternativas analisadas» pela empresa para que esta centena de trabalhadores podesse continuar a exercer as funções para as quais foram considerados aptos, o CESP defende a «suspensão desta decisão» e a «reposição dos acessos e o respeito integral pelos direitos dos trabalhadores». O sindicato acusa a Accenture de estar a promover «despedimentos disfarçados de suspensões» ao forçar vários destes trabalhadores a quebrar o contrato para sobreviver, face à ausência de uma remuneração.

Em resposta a um conjunto de questões colocadas pelo AbrilAbril, a Accenture afirma estar «comprometida em actuar de forma responsável e em conformidade com a legislação laboral portuguesa». No entanto, como as «decisões relacionadas com postos de trabalho são avaliadas caso a caso», a empresa recusa «comentar situações laborais individuais».

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